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Vem aí mais um livro que mostra as criptomoedas como as grandes vilãs do mundo | Humor

30 Oct, 20227 min readBitcoin
Vem aí mais um livro que mostra as criptomoedas como as grandes vilãs do mundo | Humor

Eu esperava uma retrospectiva bastante preguiçosa e histérica dos muitos males dos criptoativos quando comecei a ler o livro “Popping the Crypto Bubble” (Estourando a Bolha Cripto, em uma tradução aproximada).

O ambicioso livro anticripto foi escrito no início deste ano por alguns nomes como o escritor de fraudes financeiras Darren Tseng, o consultor de Fintechs Jan Akalin e pelo engenheiro de software,Stephen Diehl, três dos organizadores da histórica conferência “anticripto” de setembro.

Diehl é o mais conhecido deste trio. Ele reúne uma audiência de 58 mil pessoas no Twitter com um dilúvio diário de pautas cínicas, que são uma versão criptocética dos slogans vazios de personagens impulsionadores do Bitcoin como Anthony Pompliano.

Diehl não se cansa de tratar o setor cripto como uma “fraude”, ou um “gigantesco esquema Ponzi”, etc…etc., e chega um ponto que você fica exausto da leitura. O que no começo podia até parecer uma crítica honesta, vira outro dogma tedioso destinado aos usuários digitais.

It’s unbelievable that after everything that has happened in the last year, people still believe that there are any good actors in the crypto space. Fraud in crypto is not the exception; it’s the norm. The whole space is a hive of scum and villainy.— Stephen Diehl (@smdiehl) October 6, 2022

Ainda assim, o livro que promete “mostrar a verdade sobre a tecnologia por trás das criptomoedas, suas ideologias políticas e as narrativas que estão criando a maior bolha econômica da história da humanidade”, me surpreendeu.

Apesar de eu ter ficado decepcionado por uma certa tendência fatalista por conta do viés de confirmação—já falo disso em breve—ele apresentou uma articulação sóbria dos criptocéticos sobre os danos potenciais dos criptoativos, e os gritos de “bolha” e “esquema Ponzi” foram mais moderados do que os equivalentes no Twitter—mas só um pouco mais moderados.

Nihilismo financeiro

A forma como o livro aborda o setor cripto como sendo uma “bolha” foi interessante e bem pesquisado, no entanto. Os escritores descrevem a atual turbulência cripto não como algo parecido ao Fenômeno Holandês das Tulipas, mas como uma máquina capaz de produzir novas manias (ICOs, DeFi, NFTs, etc.) infinitamente. (Soa bastante impressionante!)

A emissão de moedas privadas, a especulação em torno de empreendimentos improdutivos, fraudes contábeis, as iniciativas de dinheiro fácil embrulhadas em uma linguagem libertária, o “niilismo financeiro”, tudo isso está nos livros de história, se você procurar direitinho. A principal inovação do universo cripto, argumentam os autores, é que os criptoativos dissipam todas essas correntes díspares em uma megafraude que é vendida a investidores crédulos como uma solução para as depravações do próprio capitalismo.

O livro tem o melhor momento quando discute o que seus autores consideram como o puro desperdício da indústria cripto. Mesmo seus mais ardentes apoiadores não podem negar o enorme gasto de eletricidade (que os defensores do Bitcoin dizem ser uma característica, não um bug; e sim, sim, a Fusão corrigiu isso para o Ethereum) e a vasta quantidade de capital que acaba sendo especulado ou derramado em empreendimentos improdutivos.

Eles chegam a inventar um novo termo, o “Blockchainismo,” para descrever os intermináveis movimentos abortados de mudança para blockchain vindos de empresas já consolidadas e quase falidas. Devido à tendência de milhões de dólares acabarem em projetos fracassados, nas mãos de golpistas, ou em carteiras mortas, os autores argumentam que investir em cripto é muitas vezes um jogo de soma negativa—uma situação em que mais valor acaba sendo destruído do que criado.

Investir, digamos, nas ações da Apple aumentará muito mais a riqueza de todos os investidores se a empresa crescer; com muitos esquemas de criptoativos, pode haver praticamente zero de crescimento e os ganhos são apenas a alienação de um pool de capital em declínio entre alguns poucos investidores sortudos e precoces.

Ataque às criptomoedas

O problema com o livro é que os autores estendem este desafio analítico digno de crédito desse lado mais especulativo e oportunista da indústria cripto em um caso geral contra o setor, tentando argumentar, por exemplo, se o setor alguma vez já produziu algo de valor, ignorando qualquer argumento que prejudique a argumentação inicial.

Os autores não estão dispostos a se debruçar, mesmo que momentaneamente, sobre as possibilidades de, digamos, novos modelos de propriedade ou organização que essas tecnologias oferecem.

Eles dividem a “cultura” cripto em três campos (economistas austríacos, tecnolibertários e ciberpunks), enquanto ignoram as aspirações mais modestas de, por exemplo, fundadores de DAOs de esquerda que querem consagrar o modelo cooperativo (os DAOs são descartados simplesmente como uma “forma de evasão regulatória” em dois parênteses minúsculos), ou desenvolvedores web interessados em micropagamentos.

Da mesma forma, os autores tentam questionar o Ethereum com o argumento pedante de que “contratos inteligentes não são realmente inteligentes”—algo que qualquer desenvolvedor Ethereum lhe explicará que é errado com prazer.

Ao que parece, com base em sua própria experiência como dev, Diehl alega ainda que a linguagem de programação do Ethereum, Solidity, é altamente propensa a erros e quase impossível de ser testada em um ambiente caótico de mercado.

É importante destacar que a maioria das novas linguagens de programação são instáveis no início. A programação do Ethereum tem realmente dado saltos desde o início da rede em 2015, e agora envolve testes rigorosos e infinitos e “palavras-chave” que ajudam a evitar acidentes de programação.

Daí o sucesso da Fusão do Ethereum—um feito técnico que Diehl e companhia, repetidas vezes, previram que nunca aconteceria devido a limitações técnicas. (O livro foi publicado antes que a Fusão fosse completada com sucesso em 15 de setembro. Oops!)

Talvez a maior falha do livro seja a confusão de seus autores quanto à sua própria posição moral sobre coisas como drogas, aplicação da lei, sanções, tecnologia e Wall Street. Eles se insurgem contra o sistema financeiro corrupto que inspirou as criptomoedas, ao mesmo tempo em que muitas vezes turbinam as opiniões dos principais expoentes desse sistema, entre eles pessoas como Warren Buffett, que apelaram para a destruição dos criptoativos.

Eles escrevem aprovando as redes ilegais de torrents como BitTorrent, enquanto decretam o uso do cripto, em qualquer forma, como algo ilegal por princípio.

A confusão ideológica continua. Como os fundadores recentes de um think tank anticripto chamado “Center for Emerging Tech”, os escritores clamaram por mais regulamentação e processos contra as empresas cripto, em um determinado momento, emitindo, ao melhor estilo dos economistas, uma lista numerada de imposições severas para o governo americano.

E, ainda assim, ao mesmo tempo, eles parecem estar de acordo com o mesmo modelo de capital de risco que levou a algumas das fraudes mais catastróficas das últimas décadas (ahem: Theranos).

Apesar da inveja contra o capitalismo, eles concluem o livro declarando que “o capitalismo não vai a lugar algum tão cedo”, sugerindo que livrar o mundo dos criptoativos para manter o status quo é algo nobre o suficientemente.

Talvez tudo isso seja inevitável para um movimento que atraiu sua ampla coalizão de detratores de tantas fontes díspares: o mundo financeiro “tradicional”, a política, o ativismo on-line, os jogadores, o esquerdismo e uma série de outros, todos unidos em seu ódio contra a indústria cripto.

Basicamente falando, Popping the Crypto Bubble fornece uma análise mais aprofundada dos pontos mais céticos do tema, que são compartilhados o tempo todo no Twitter deles. Mas eu tive a sensação de que os autores só conseguiram derrubar um espantalho: uma versão da indústria cripto na qual todos são uma das duas opções: ou um libertário utópico ou um camarada de tecnologias que nunca se tornaram realidade.

Esses tipos são apenas 99% da indústria. E aquele 1% restante é que pode fazer a diferença.

Coluna de humor escrita pelo correspondente Ben Munster. Traduzida por Gustavo Martins com autorização do Decrypt.co.

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