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3 tabus que foram quebrados no atual mercado de baixa das criptomoedas

7 d ago6 min readOther
3 tabus que foram quebrados no atual mercado de baixa das criptomoedas

O crash atual do mercado cripto vem tirando o sono de investidores. Embora todos esperassem um fim em breve, poucos deixaram de ser surpreendidos pela velocidade e gravidade da queda.

Se muito dinheiro foi perdido, ao menos podemos tentar aproveitar os aprendizados que o mercado vem nos trazendo para estarmos mais preparados no futuro. Abaixo listamos três “surpresas” desse ciclo que nos forçarão a repensar nossas expectativas para o mercado cripto daqui para frente.

A perda da máxima histórica de 2017

A perda do topo histórico do ciclo foi um golpe duro para os holders. Nesse contexto inédito para o Bitcoin (BTC), as projeções megalomaníacas de US$ 500.000 para o ativo em poucos anos começam a ceder lugar para as preocupações com a mera retomada da ATH atual de US$ 69.000. De modo algum, porém, essa perda significa o fim de tendência de crescimento do Bitcoin no longo prazo (caso percamos o piso anterior, cerca de 3.200 dólares, podemos nos preocupar de verdade).

Embora as atenções no ano passado tenham se voltado para o modelo Stock-to-Flow, que projetava um crescimento implacável, outros modelos de crescimento exponencial mais modestos, como o proposto por Benjamin Cowen, já apontavam claramente que essas perdas de ATH anterior serão frequentes daqui para frente. Nem por isso, esses mesmos modelos deixam de projetar um Bitcoin a 6 ou até 7 dígitos no futuro. Entretanto, a trajetória deverá ser bem mais dura (e lenta) do que esperávamos.

Agora fica claro que os modelos otimistas do ano passado não estavam exatamente incorretos. O problema é que esses modelos eram feitos com base em dados do passado, e os projetavam para o futuro. O problema é que esses dados se referem a uma realidade que não existe mais.

A década de 2010 foi extremamente excepcional na história da finança mundial, marcada por juros irrisórios. Em que outro momento da história criar empresas que geram prejuízos bilionários ano após ano foi um negócio tão lucrativo? Agora, com um cenário obscuro pela frente e grandes possibilidades de recessão a nível mundial, o mercado cripto não encontrará as mesmas condições favoráveis presentes desde seu nascimento.

Talvez o Bitcoin realmente tivesse chegado aos US$ 135.000 projetados por PlanB em sua estimativa “conservadora”, mas só se continuássemos vivendo em um mundo de crédito fácil e injeção massiva de dinheiro do FED. Se a conta da festa nunca tivesse chegado, nada impediria que todos continuassem festejando.

A correlação com mercados tradicionais

Nos acostumamos a atribuir ao halving a razão de termos observado esses ciclos quadrienais no Bitcoin, mas o atual trouxe uma diferença significativa: a alta correlação com o mercado tradicional. A pergunta não é apenas se a bull run teria continuado se não fosse pelo FED, mas se ela teria sequer começado.

Em um mundo com 19 milhões de Bitcoin em circulação, e com emissão cada vez menor através da mineração é de se esperar que o efeito do halving no mercado seja cada vez mais sutil. Por outro lado, negar o papel do halving na última grande alta seria uma alegação forte.

O fato de que tanto o início quanto o fim da bull run ocorreram aproximadamente no mesmo timing dos ciclos anteriores indica que, se o halving não foi o fator-chave do ciclo atual, ao menos parece ter colaborado para a tendência.

Fonte: Tradingview

A força da dominância do Bitcoin

Nos acostumamos a olhar para o gráfico da dominância do Bitcoin e enxergar uma tendência de queda de longo prazo. Afinal, o ativo já representou 100% do mercado cripto, e a cada dia surgem inúmeras novas moedas disputando esse espaço. Dessa forma, esse indicador colaborava com a sensação de que o ciclo ainda não estava terminado, e de que ainda faltava uma alt season final antes do colapso.

Imagem: CoinMarketCap

Agora, quando o término da bull run é um consenso, a métrica não chegou a atingir um novo fundo. Por um lado, os argumentos dos maximalistas do Bitcoin saem fortalecidos. A participação das altcoins na última corrida não conseguiu superar os patamares de 2017, quando a febre dos ICOs deu o tom do mercado.

Por outro lado, não podemos confirmar o fim da tendência de baixa enquanto a dominância não fizer um novo topo acima do anterior. Atualmente, ainda há uma imensa distância entre os atuais 43% (dados de 21/6) e os 72% do último pico, no início de 2021.

A alta da dominância, entretanto, vem também sendo bastante sutil. O único salto recente significativo ocorreu devido ao colapso de LUNA e UST, e segue impulsionado pela atual deterioração do ETH.

Em vez do “ouro digital”, a preferência dos investidores tem se voltado para as stablecoins. Estas recentemente viram sua própria dominância chegar a uma nova ATH, e atualmente, as quatro maiores stablecoins (USDT, USDC, BUSD e DAI) respondem juntas por mais de 16% do mercado cripto.

Considerações finais

As “surpresas” que estamos tendo nesse ciclo nos relembram a importância de observar fundamentos, tanto macroeconômicos quanto dos projetos em que embarcamos. Na hora da euforia, poucos se perguntaram como certos protocolos de DeFi conseguiam remunerar tanto; como games com cara e cheiro de pirâmides poderiam não ser pirâmides; e principalmente, o que aconteceria quando o FED resolvesse finalmente voltar a combater a inflação. Agora, essa negligência cobra um alto preço.

Fica em aberto qual o próximo tabu a ser quebrado. Caso o contexto macro melhore, é possível vermos pela primeira vez um ciclo com crescimento maior que o anterior. Por outro lado, com uma economia mundial em crise, não é nada impossível que o próximo ciclo sequer recupere os US$ 69.000 da ATH atual. Ou quem sabe a própria ideia de ciclos caia por terra, e o mercado passe a crescer de maneira mais estável?

Uma certeza que podemos ter é que não serão os dados do passado que vão determinar esse crescimento, e sim o futuro. Para voltar a crescer com consistência, sem depender da boa vontade do FED, a indústria precisa voltar a trazer projetos disruptivos, que saiam das promessas de dinheiro fácil e voltem a agregar valor real aos usuários.

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