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PF e Receita fazem operação contra compradores de criptomoedas que movimentaram R$ 61 bilhões

22 Sep, 20223 min readBitcoin
PF e Receita fazem operação contra compradores de criptomoedas que movimentaram R$ 61 bilhões

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (22) a Operação Colossus, focada em desarticular organizações criminosas que usavam criptomoedas em crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Foram 170 policiais federais envolvidos na operação que cumpriu mais de 100 ordens judiciais em pelo menos sete estados brasileiros contra arbitradores, exchanges de criptomoedas e empresas de fachada.

O que motivou o início das investigações foi um grande número de movimentações bancárias suspeitas identificadas com apoio da Receita Federal. As autoridades descobriram que os investigados movimentaram mais de R$ 61 bilhões — provavelmente de origem ilícita — através do sistema bancário brasileiro, de 2017 a 2021.

Os investigados foram divididos em três grupos: arbitradores, que compravam grandes quantias de criptomoedas no exterior para a venda no Brasil; exchanges de criptomoedas, que absorviam os ativos dos arbitradores para revender a pessoas físicas e jurídicas suspeitas; e empresas de fachada, que comprovaram as criptomoedas das exchanges para praticar lavagem de dinheiro.

“Chama atenção o fato de dentre os clientes dessas existirem pessoas mortas, beneficiários de programas assistenciais, idosos com mais de 90 anos de idade, doleiros, contrabandistas e comerciantes de bairros de comércio popular de diversas cidades do país, em especial do Brás e da 25 de Março”, aponta a nota da PF.

Um único contador desvendado pelas autoridades controlava mais de 1,3 mil empresas de fachada, sediadas no comércio popular de São Paulo, e que movimentaram mais de R$ 1 bilhão com arbitradores e exchanges investigadas.

No total, a operação Colossus cumpriu duas ordens judiciais de prisão preventiva; 37 ordens judiciais de busca e apreensão, sendo 22 pessoas físicas e 15 pessoas jurídicas — o que inclui seis exchanges, quatro instituições financeiras autorizadas pelo BACEN, e três escritórios de contabilidade.

As plataformas que os investigados usavam para movimentar dinheiro também foram alvos da operação. Ao todo, 28 exchanges que atuam no Brasil e no exterior receberam pedidos das autoridades de bloqueio de ativos digitais de clientes suspeitos.

Também foi determinado o bloqueio de bens e valores dos investigados no valor de R$ 1,2 bilhão.

Envolvimento com criminosos

A Polícia Federal descobriu que pessoas e empresas alvos da investigação já tinham conexão com outras operações deflagradas no passado, incluindo Kryptos, Planum, Rekt, Valeta, Sucessão, Mardof, Betka e outras.

Além de crimes como pirâmides financeiras e lavagem de dinheiro, essas operações também tinham o objetivo de reprimir crimes ligados ao tráfico internacional de drogas e organização criminosa.

“Os indícios levantados apontam para a compra direta de criptoativos por traficantes de drogas, doleiros, contrabandistas e outros interessados em realizar operações de cripto-cabo”, diz a PF.

Os investigados por esses crimes compravam criptomoedas para ocultar valores das autoridades locais e enviarem para fora do país.

Nesta questão, a Polícia Federal apontou a falha de compliance em mais de 40 instituições financeiras do país que permitiram a movimentação do dinheiro ilícito dos investigados.

“Algumas dessas instituições, ao detectarem tais movimentações suspeitas, comunicaram tais fatos ao COAF e encerraram relacionamento com os clientes investigados. Porém, os investigados ingressaram com ações na Justiça e obtiveram decisões judiciais favoráveis, obrigando, assim, os bancos a continuarem movimentando recursos dessas empresas”, diz a PF.

Aqui é importante lembrar que no final de agosto, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), fechou o canal usado por corretoras de criptomoedas para informar movimentações financeiras suspeitas.

No início desta semana, a coordenadora-geral de Inteligência do COAF, Rochelle Pasiani, disse que as informações prestadas pelas corretoras brasileiras eram “deficientes” e com “pouca utilidade”.

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