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Mercado de Treasuries pode explicar perda de força do Bitcoin, dizem analistas

12 Aug, 20224 min readBitcoin
Mercado de Treasuries pode explicar perda de força do Bitcoin, dizem analistas

Os traders que procuram uma explicação para o último fracasso do Bitcoin (BTC) em ficar acima de US$ 24 mil talvez encontrem alguma resposta no que aponta o mercado de Treasuries , os títulos do Tesouro dos EUA, afirmam analistas.

O rendimento dos títulos de 10 anos subiu 2,90% nesta sexta-feira (12) – a maior alta em três semanas, estendendo a recuperação da mínima de de 2,67% atingida após os dados de inflação divulgados na quarta-feira (10). O rendimento de dois anos se manteve estável em torno de 3,20%, tendo atingido uma baixa de 3,08% na quarta, segundo dados da plataforma de gráficos TradingView.

O aumento contínuo dos retornos em títulos talvez seja um sinal de que os traders de ativos de risco, incluindo o Bitcoin, podem estar errados ao concluir que a inflação nos EUA atingiu o pico e que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) provavelmente diminuirá o aperto de liquidez nos próximos meses.

“Se as notícias de quinta-feira (11) significavam que era hora de comemorar a vitória sobre a inflação, então a resposta do mercado deveria ter sido direta”, disse John Authers, colunista de opinião da Bloomberg, em um artigo publicado hoje. “Os rendimentos dos títulos deveriam cair, pois seria improvável que o Fed mantivesse as taxas tão altas ou pelo tempo que se temia”, completou.

No entanto, os ganhos aumentaram, o que significa que os investidores de renda fixa esperam taxas de juros mais altas e estão vendendo seus títulos. Os preços e rendimentos dos títulos se movem na direção oposta. Já o BTC se mantém sensível à política do Fed e levou uma surra neste ano com o banco central embarcando em seu ciclo de aperto mais agressivo em décadas.

O salto do Bitcoin acima de US$ 24 mil ontem teve vida curta. Nas últimas três semanas, a criptomoeda falhou sete vezes em atingir um preço acima desse patamar – a referência para o fechamento do mercado global de criptoativos, que está sempre aberto, é equivalente às 21h de Brasília.

O mais recente fracasso vem logo após a maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, anunciar um novo fundo privado de Bitcoin para investidores institucionais. Portanto, não é como se não houvesse notícias otimistas.

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O BTC atraiu compradores na quarta-feira, depois que dados divulgados nos EUA mostraram que os preços ao consumidor subiram 8,5% em julho em comparação com o ano anterior, abaixo do salto de 9,1% no acumulado do ano registrado em junho. A inflação estável na base mensal e menor na base anual deu esperanças de que as pressões sobre os preços podiam ter atingido o pico.

O índice de preços ao produtor (IPP, em inglês) divulgado na quinta-feira contou uma história semelhante, elevando o Bitcoin para US$ 24.929, o maior valor em dois meses.

Alguns observadores preveem um aumento contínuo nos rendimentos dos títulos. “Curiosamente, vimos uma narrativa de ‘pico’ de inflação e, apesar do CPI e do PPI, agora projetamos alta nos rendimentos [de títulos]”, escreveu Michael Kramer, fundador da Mott Capital Management, em uma atualização de mercado publicada ontem.

“Isso poderia indicar que os rendimentos pararam de cair e irão subir a partir daqui? Acredito que sim, porque se dados de inflação mais fracos do que o esperado não puderem trazer as taxas para baixo, elas têm um caminho a percorrer, que é subir”, acrescentou Kramer.

Analistas disseram ao CoinDesk na quinta que o rali pós-inflação do Bitcoin pode ser uma armadilha para investidores mais otimistas. A expectativa pela frente é de mais volatilidade, principalmente considerando o Fed tem programada a aceleração do encolhimento do balanço patrimonial a partir de setembro.

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