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Mercado cripto brasileiro visto de fora: jornalista americano explica o complicado “custo Brasil” para o mundo

29 Aug, 20225 min readBitcoin
Mercado cripto brasileiro visto de fora: jornalista americano explica o complicado “custo Brasil” para o mundo

O mercado brasileiro de criptomoedas tem atraído o interesse de grandes players internacionais. A Binance fincou sua bandeira no solo verde-amarelo com a visita de CZ em março, enquanto a americana Coinbase vem ensaiando há algum tempo sua chegada no país. Já mexicana Bitso investiu milhões para se popularizar pelo futebol brasileiro, enquanto a argentina Ripio lançou um cartão cripto exclusivo para o Brasil.

Some-se a isso empresas locais como Nubank, XP, BTG, Mercado Livre e a corretora Mercado Bitcoin, que explora a tokenização de ativos com uma abordagem inédita, como token de precatórios — um conceito difícil para um estrangeiro.

A árdua tarefa de explicar isso de dentro para fora vem sendo feita pelo jornalista Aaron Stanley através do Brazil Crypto Report, uma newsletter gratuita e divulgada principalmente pelo LinkedIn.

O projeto engloba para além da newsletter, um podcast em inglês apresentado pelo norte-americano, que atualmente mora no estado de Minnesota (EUA). Em conversa com o Portal do Bitcoin, ele conta que o objetivo do seu trabalho é ser “o guia do falante inglês para o maior ecossistema cripto da América Latina”.

Aaron é casado com uma brasileira e morou por seis meses no Brasil em 2021. “Foi quando eu percebi o quão pouco tinha de cobertura do mercado brasileiro nos círculos estrangeiros. Na verdade, ninguém presta atenção no mercado do Brasil fora do país. Então percebi que existia um nicho para fazer uma cobertura em inglês”, afirma Stanley, que nesse período morou em Brasília.

Segundo Stanley, metade de seu público são brasileiros e a outra metade estrangeiros. “Foi surpreendente, pois inicialmente eu esperava que a maioria dos leitores fossem gringos. Eu presumi que as pessoas de cripto no Brasil já soubessem dessas o informações”, relata.

O jornalista fala com propriedade. De novembro de 2018 até setembro de 2021 trabalhou no CoinDesk, maior portal jornalístico do mundo sobre criptomoedas. A primeira vez que Stanley ouviu falar em Bitcoin foi em 2012 e a escreveu sobre o tema em 2013.

Atualmente, o americano também ocupa o cargo de head de Projetos Especiais na Filecoin Foundation, produzindo conteúdo e eventos.

Custo Brasil

Aaron Stanley tem uma teoria do motivo do Brasil ser em grande parte ignorado pelo resto do mundo no mercado cripto:

“Eu acho que as pessoas ficam muito intrigadas pelo Brasil, mas ainda não é um mercado grande o suficiente para ser prioridade entre pessoas do setor. Parte disso, provavelmente, é uma falta de entendimento sobre o mercado e, para ser honesto, por conta da dificuldade para novas empresas entrarem no país. O ‘custo Brasil’.”

Questionado sobre o que mais engloba esse tal de “custo Brasil”, o jornalista conta que a dificuldade de entender os aspectos legais e tributários do país tornam muito árdua a tarefa de contratar funcionários e fazer um programa de compliance.

“Eu acho que veremos muito mais fusões, nas quais empresas estrangeiras adquirem companhias locais para tornar menos penoso esse peso do compliance”, aponta.

Apesar do pouco foco internacional no Brasil, Stanley afirma que “definitivamente há um crescente interesse” e que tem recebido assinaturas de diversos provedores de serviços e protocolos que querem se instalar no Brasil, mas não sabem como começar.

Lei das criptomoedas do Brasil

Stanley tem acompanhado o debate sobre o Projeto de Lei das Criptomoedas no Brasil e entende que a legislação pode sufocar um empreendedorismo que não seja custeado por alto capital.

“Será um longo caminho até a lei ser aprovada e implementada. Apesar disso, é um sinal positivo. Será bom para a indústria como um todo? Será definitivamente bom para os grandes players. Para as startups e os pequenos empreendedores? Provavelmente não tanto”, afirma.

Binance contra todos

A Binance lidera o mercado brasileiro no volume e valor total de transações. Stanley vê no Brasil um modelo replicado em grande parte do mundo: a corretora de Changpeng Zhao contra o restante do mercado.

O jornalista americano tem uma teoria sobre o sucesso estrondoso da corretora chinesa: “Parece ser uma combinação de liquidez, trabalho de marca e marketing, tecnologia e agilidade operacional que deu à Binance a liderança no mercado”.

Inverno cripto

Sobre o atual inverno cripto, Stanley diz acreditar que será um período pior do que as pessoas querem acreditar no setor.

“A situação macro global não é favorável para nenhum ativo de risco e a queda da 3AC foi um grande golpe para a indústria. Ajudou a reforçar uma ampla visão negativa sobre o setor”, afirma. “Esse inverno não será tão doloroso como o último, mas eu penso que estamos olhando para um período de 12 a 18 meses de marasmo”, afirma.

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