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Manhã Cripto: Ethereum (ETH) despenca mais de 8% após a Fusão; Bitcoin (BTC) retorna aos US$ 19 mil

16 Sep, 20228 min readBitcoin
Manhã Cripto: Ethereum (ETH) despenca mais de 8% após a Fusão; Bitcoin (BTC) retorna aos US$ 19 mil

O mercado de criptomoedas amanhece de ressaca nesta sexta-feira (16) após a Fusão do Ethereum e se foca novamente nos números frágeis da economia. O Bitcoin (BTC) registra queda de 1,8% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 19.769,66, caindo pela primeira vez abaixo da marca de US$ 20 mil desde 8 de setembro.

Em reais, o Bitcoin opera em queda de 0,7%, negociado a R$ 103.692,26, mostra o Índice do Portal do Bitcoin (IPB).

Já Ethereum a (ETH) acelera as perdas depois da atualização da rede e mergulha 8,7%, para US$ 1.462,36.

Traders de contratos futuros que rastreiam o ETH e o Ethereum Classic (ETC) registraram cerca de US$ 80 milhões em perdas acumuladas, sendo que os futuros de Ethereum responderam por US$ 67 milhões em liquidações, de acordo com dados do CoinDesk.

André Franco, chefe de pesquisa do MB, acredita que os efeitos da Fusão serão percebidos em momentos em que o mercado acionário estiver estável, segundo artigo da Folha de S. Paulo. O melhor termômetro para avaliar isso, de acordo com Franco, é a Nasdaq, com forte peso do setor de tecnologia.

As altcoins mais negociadas também operam em terreno negativo, como Binance Coin (-1,4%), XRP (-4,7%), Cardano (-2,5%), Solana (-4,7%), Polkadot (-3,6%), Dogecoin (-2,2%), Shiba Inu (-2,9%), Polygon (-5,9%) e Alavanche (-5,1%).

“Vimos que havia um posicionamento ‘bullish’ (altista) antes da Fusão e, como indústria, já estamos de olho no que vem a seguir”, escreveu Jon Campagna, sócio e chefe de negociação e mercados de capitais da empresa de investimento cripto CoinFund, em e-mail ao CoinDesk.

Campagna também mencionou a tendência recente do Ethereum e de outras criptos de acompanhar o mercado acionário, além da vulnerabilidade contínua de ativos de maior risco às incertezas macroeconômicas.

Recessão global

Essas incertezas foram destacadas em novo relatório do Banco Mundial, que prevê o risco de uma recessão global no ano que vem causada por juros mais altos, mas que talvez não sejam suficientes para controlar a inflação. Investidores projetam juros globais de quase 4% em 2023, o dobro da média em 2021, de acordo com o estudo.

“Não está claro se veremos um desempenho suficiente na classe de ativos para se desviar materialmente das ações neste momento”, avalia Campagna, do CoinFund.

De fato, o mercado de criptomoedas acompanha o desempenho das bolsas globais nesta sexta, já na expectativa da próxima reunião do Federal Reserve, que anuncia sua decisão de política monetária na quarta-feira (21).

Ethereum depois da Fusão

A grande atualização de software do Ethereum pode ter transformado a segunda maior criptomoeda em valor mobiliário aos olhos da SEC, a CVM dos EUA, segundo o Wall Street Journal.

Em audiência no Comitê Bancário do Senado dos EUA na quinta-feira (15), o presidente da SEC, Gary Gensler, sinalizou que tokens validados por meio do mecanismo de consenso de prova de participação (proof of stake, ou PoS) poderiam ser submetidos ao chamado teste de Howey, usado por reguladores para determinar se um ativo é um valor mobiliário.

O teste examina se investidores esperam obter retorno com o trabalho de terceiros. Gensler destacou que não estava falando sobre um token específico, embora tenha feito o comentário horas depois da Fusão.

Sob o sistema de prova de trabalho (proof of work, ou PoW), o Ethereum era uma das duas únicas criptos – a outra é o Bitcoin – claramente definidas como commodity por reguladores federais, de acordo com o CoinDesk.

Sobre o tema, Gensler também disse na audiência que, quando “múltiplos reguladores” tentam definir o que é um valor mobiliário, isso pode “minar” o trabalho de supervisão.

Futuro do Bitcoin

A migração bem-sucedida do Ethereum para um sistema de validação mais eficiente do ponto de vista energético já reacende o debate se o Bitcoin deveria seguir pelo mesmo caminho, aponta Emily Nicolle, em análise da Bloomberg.

Mas os chamados maximalistas do Bitcoin destacam que o sistema de prova de trabalho está ligado às origens da moeda digital, recompensando mineradores com novos tokens para ordenar transações válidas e recusar as ruins. O chamado “staking” da prova de participação pressupõe o depósito de um grande volume tokens, que são “bloqueados”, e se apoia na confiança de que a rede não será prejudicada, aponta o artigo.

Além disso, as duas maiores criptomoedas têm propostas diferentes, já que a rede Ethereum é usada para operar contratos inteligentes que servem de base para a maioria das aplicações de finanças descentralizadas. O Bitcoin, por sua vez, é defendido como reserva de valor, como o ouro.

Energia do Ethereum

De qualquer forma, o impacto ambiental da mineração de Bitcoin pode levar reguladores e investidores a pressionarem por tal mudança.

De acordo com um estudo preliminar, a pegada de carbono do Ethereum foi reduzida drasticamente após a atualização da rede. Relatório da Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI) encomendado pela empresa de análise ConsenSys destacou que a rede agora usa aproximadamente 99,99% menos energia.

O cofundador da blockchain Ethereum, Vitalik Buterin, disse em tuíte que a Fusão vai reduzir o consumo mundial de energia em 0,2%.

Além disso, mineradores de Ethereum encontram cada vez mais dificuldade para lucrar após a Fusão, pois muitos estão migrando para moedas alternativas menos rentáveis, de acordo com o CoinDesk.

Em meio à crise energética na Europa e mudança climática, ativistas também aproveitaram o momento para criticar a mineração de Bitcoins, que consome muito mais energia por meio de computadores potentes.

O Greenpeace vai reforçar a campanha “Mude o código, não o clima” e escolheu como alvo a Fidelity Investments, que planeja oferecer Bitcoin como opção de investimento em planos de previdência corporativa nos EUA.

Outros destaques das criptomoedas

A gestora cripto Hashdex vai lançar um fundo de índice (ETF) de futuros de Bitcoin na Bolsa de Nova York, conforme o Valor. O ETF foi desenvolvido em parceria com a Teucrium Trading e Victory Capital, gestora com US$ 167 bilhões de ativos globalmente.

A plataforma de empréstimos cripto Celsius Network, em processo de recuperação judicial, pediu autorização da Justiça para vender suas reservas de stablecoins a fim de gerar liquidez para ajudar a financiar as operações, de acordo com novos documentos judiciais citados pelo CoinDesk.

E a FTX seria a principal candidata à a compra dos ativos de outra empresa de crédito cripto em crise, a Voyager Digital, disse uma fonte ao CoinDesk. Os ativos da plataforma foram a leilão nesta semana e ofertas maiores ainda podem surgir.

A Binance Labs, braço de venture capital da Binance, maior exchange cripto do mundo, aumentou os investimentos na Aptos Labs, uma startup de blockchain fundada por ex-funcionários da Meta Platforms, de acordo com a Bloomberg. O novo investimento não foi divulgado.

Regulação, CBDCs e Cibersegurança

Em meio ao impacto da mineração de criptomoedas no meio ambiente, o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, disse que o futuro do mercado de capitais e da economia brasileira é “verde e digital”.

Em entrevista ao Valor, Nascimento revelou que a CVM anuncia nos próximos dias diretrizes sobre criptoativos para definir quais deles podem ser considerados valores mobiliários. As orientações, segundo ele, devem ajudar na contabilização dos ativos digitais.

A Justiça concedeu um novo habeas corpus para Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, em um dos processos respondidos pelo fundador da GAS Consultoria, segundo o jornal O Globo. Apesar de decisão do Tribunal Regional Federal, outra prisão preventiva contra Glaidson, acusado de promover um esquema de pirâmide financeira cripto, continua válida.

Na Coreia do Sul, promotores pediram ao Ministério das Relações Exteriores do país para invalidar o passaporte do cofundador da Terraform Labs, Do Kwon, de acordo com informações do jornal local Munhwa.

Metaverso, Games e NFTs

O bloco final do Ethereum no formato Proof of Work (PoW) foi transformado em arte na madrugada da quinta-feira (15), antes da Fusão. De acordo com o Etherscan, o capítulo final da rede no formato PoW engloba apenas uma transação: um token não fungível (NFT) da VanityBlock. Os criadores do NFT pagaram 30 Ethereum (aproximadamente US$ 50 mil) para cunhar o NFT.

Apesar da desvalorização do Ethereum e de outras criptomoedas após a atualização da blockchain, as vendas e preços de NFTs dispararam, segundo dados da DappRadar citados pela Bloomberg. Os NFTs da coleção Bored Ape Yacht Club registravam US$ 1,3 milhão em vendas às 16h de Nova York na quinta-feira, um salto de 187% em 24 horas.

A Epic Games lançou um game com NFTs em sua plataforma. O Blankos Block Party é um jogo desenvolvido pela Mythical Games, que envolve o uso de NFTs para representar itens exclusivos, conforme a Exame.

Nunca é tarde para inovar. As pintoras brasileiras Judith Lauand e Jandyra Waters, de 100 e 101 anos, vão entrar no mercado de NFTs com a tokenização de suas obras de arte, informou o jornal O Globo. A plataforma Hurst Capital adquiriu sete obras das duas artistas para oferecê-las na forma de NFTs a investidores.

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