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Inflação dos EUA é o maior inimigo do Bitcoin, mas há outros fatores em jogo

3 d ago5 min readBitcoin
Inflação dos EUA é o maior inimigo do Bitcoin, mas há outros fatores em jogo

O mercado vinha ignorando os recados do Federal Reserve dos EUA, mas eis que a ficha finalmente caiu. As projeções para a inflação americana (CPI) estavam em -0,1%, mas ela veio em 0,1%, com uma piora nos preços dos serviços. Essa pequena diferença provocou um terremoto nas bolsas: o Nasdaq caiu 5,16%, o S&P 500, 4,32%, e o Dow Jones, 3,94%.

No Brasil, o dia foi de queda no Ibovespa e alta do dólar. Os investidores agora esperam forte aumento dos juros na reunião do Fed semana que vem. Quanto maiores os juros nos EUA, maiores os problemas para o PIB mundial e por sua vez para todos os ativos de risco, incluindo o Bitcoin (BTC), além das ações listadas na Nasdaq.

O fato é que historicamente falando todas as vezes que a inflação americana subiu, ela só foi debelada após fortes doses de juros. Em toda as vezes que a inflação dos EUA (variação anual) ultrapassou os 5%, ela nunca caiu sem que as taxas de juros ultrapassem o CPI (anual), como destaca do analista de commodities, especializado no mercado de óleo cru, Heitor Paiva.

Fonte: Twitter/Heitor Paiva

Apesar da inflação, destaca-se o pano de fundo da guerra energética na Europa que vem aprofundando a crise, visto que a Rússia passou a usar o fornecimento de gás como arma de persuasão: volta-se ao fornecimento normal, desde que as sanções sejam retiradas. Um jogo de proporções e desdobramentos imprevisíveis. Cada um dos 27 países está operando em função dos seus interesses nacionais, ao contrário da Alemanha, que é a mais dependente do gás russo, e o motor da economia do bloco europeu. Contudo, medidas individuais já estão sendo tomadas, a França pretende subsidiar gás e luz da população.

Segundo o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, o novo limite custará € 16 bilhões ao a França em 2023, dos quais € 11 bilhões vão para subsídios ao gás e cinco bilhões para a eletricidade.

Nesse cenário de substituição de matriz energética e incertezas, dois eventos estão em curso: os europeus estão saindo da extrema dependência do gás russo, para cair nas mãos dos EUA. Que aumentou seu comércio de GNL, gás liquefeito para Europa, nesse semestre. O país virou o maior exportador mundial de GNL e, de janeiro a maio, aumentou em 66% as suas exportações para os europeus, conforme noticiou o jornal O Globo.

Queda dos estoques de petróleo

Os EUA estão em uma disputa comercial com a Organização Países Produtores de Petróleo (Opep). Pois a Opep, capitaneados pelos sauditas, querem vender o óleo a $100 enquanto os EUA só estão dispostos a pagar $80. Concomitantemente a isso, os estoques estatais de óleo nos EUA estão em seu menor nível desde 1984. O governo autorizou o orgão responsável pelos estoques estatais (chamados de SPR) a comprar petróleo para entrega futura com os preços correntes - de forma a incentivar a produção doméstica. Mas, até o momento, estes estoques não param de cair, segundo o consultor Heitor Paiva.

Fonte: SPR

Demanda por dólar pode aumentar

Segundo o Fundo Monetário Internacional, as reservas em dólar dos países se encontram em níveis críticos. Visto que muitos países estão queimando suas reservas para financiar os gastos públicos e equilibrar a balança comercial, que foi afetada em diversos países, devido a quebra da cadeia suprimento durante a Pandemia, e recentemente com o fechamento de diversos portos na China.

Fonte: Bloomberg

O dólar se encontra afetado pela inflação norte-americana, contudo, em tempos de incerteza, ele ainda é usado como hedge e pode ser usado inclusive para se comprar outro ativo de segurança que se encontra muito valorizado, os títulos do Tesouro dos EUA.

Fonte: Tradingview

No gráfico acima mostra o contraste entre os papeis atrelados à inflação americana, os Bonds Treasuries com vencimento em 10 anos e o Bitcoin, numa janela temporal de 1 ano.

Os índices atrelados à inflação mostram-se em escala elevada de 163.6% de valorização, os Treasuries de 10 anos com valorização de 19.46% e o Bitcoin amargando um prejuízo de -37.13% em relação a esses ativos.

O "efeito cobre"

Os preços do cobre estão em declínio no último ano devido à desaceleração da economia chinesa que ainda sofre constantes lockdowns devido à crise da Covid. O cobre segue com uma desvalorização da ordem de -20.17%. Os estoques estão baixos e a demanda reprimida. Contudo, quando a atividade industrial chinesa voltar a se aquecer, qualquer choque demanda, forçará os preços para cima.

Fonte: Tradingview

O cobre é intensamente usado na indústria de mineração de Bitcoin na montagem dos ASIC´s. Como seu preço encontra-se em queda, os preços do maquinário para mineração de Bitcoin se encontram barato. Mas esse cenário deve mudar no próximo ano e o maquinário pode experimentar uma escalada de preço nos próximos anos. É algo a se observar.

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