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Governos não querem deixar de imprimir dinheiro em troca do Bitcoin, diz professor da...

11 Nov, 20226 min readBitcoin
Governos não querem deixar de imprimir dinheiro em troca do Bitcoin, diz professor da...

Alguns países tornaram o bitcoin uma moeda de curso legal, embora a maioria dos governos não querem deixar de imprimir dinheiro para aderir a uma moeda que não possuem controle, disse o professor da FIA Business School, Carlos Honorato Teixeira, em conversa com o Livecoins.

Economista, Mestre e PhD em Administração pela FEA-USP, o professor tem experiência como consultor da UNESCO no Brasil, Moçambique e Timor Leste. Além disso, já trabalhou com a Prefeitura de São Paulo e de Porto Alegre em iniciativas no setor público.

Na iniciativa privada, o profissional já trabalhou para Itaú, Bradesco e foi comentarista semanal em programas como Conta Corrente e da Globo News.

As criptomoedas surgem como uma opção a moeda fiduciária em um contexto de crises econômicas. Qual a dificuldade para um país adotar o bitcoin como El Salvador fez? O Brasil poderia fazer o mesmo?

Carlos: As criptomoedas surgem como uma opção fiduciária em momentos de crise, mas não possuem aceitação por países, principalmente pelos bancos centrais. Então elas podem substituir as moedas dos países por um câmbio não oficial.

Porque o que acontece, as discussões que envolvem a moeda é sobre sua origem. A moeda é também um poder econômico e poder político, imposta pelo Estado.

Enquanto você tem uma criptomoeda que não é centralizada, como o Bitcoin, que não está sob o controle do governo, poucos países vão usar essa opção. É óbvio que países em crise e passando por dificuldades, como El Salvador, podem adotar as criptomoedas. Eu acho quase impossível o Brasil fazer isso, porque não é uma economia pequena e há o controle do banco central sobre transações.

Cidades como o Rio de Janeiro estão viabilizando pagamentos de impostos com criptomoedas. Isso é promissor do ponto de vista de adoção de uma moeda alternativa ao Real?

Carlos: Viabilizar o uso da criptomoeda como meio de pagamento é uma coisa boa. Se tem pessoas e empresas que estão trocando Real ou Dólar por criptomoedas, nada mais justo que essas possam fazer este tipo de pagamento.

Tende a ser uma prática controlada no futuro, visto que o Real, por uma questão política, não quer perder seu título de moeda. Então transações com criptomoedas tendem a ser empurradas como títulos, ativos financeiros que podem ser negociadas.

Você acredita que o movimento da iniciativa pública com criptomoedas pode motivar empresas a entrarem no setor? Aceitarem como meio de adoção?

Carlos: Eu gosto de diferenciar criptomoeda de moeda digital, visto que criptomoeda é relacionada com blockchains. Eu acho que o movimento público de criptomoedas tem um movimento favorával, mas acho que não depende do governo.

Eu acho que cada vez mais as empresas estão vendo que as criptomoedas têm um poder de mercado, um lastro no seu algoritmo no seu funcionamento. Então eu acho que sim, iniciativas públicas favorecem, mas o número de empresas e negócios que adotam essas moedas já fazem seu papel.

Como as criptomoedas poderiam ajudar países latinos a perder a dependência do Dólar?

Carlos: A criptomoeda poderia servir como parte do lastro, ou parte da cesta de moedas que você tem que ter guardada na economia, no banco central, para diversificar e evitar a dependência que se tem do Dólar.

Eu acredito que os países latinos devam ter reservas em outras moedas além do Dólar. O cuidado que tem que se ter com criptomoedas é a volatilidade, que é imprevisível. Mas eu acho que uma diversificação é muito bem-vinda em qualquer contexto como esse.

O Real brasileiro pode entrar em colapso nos próximos anos? Como o senhor vê a chegada do Real digital?

Carlos: Acho que não há possibilidade do Real entrar em colapso nos próximos anos, visto que elas sobrevivem, se valorizam ou desvalorizam. O Real digital não é uma criptomoeda, é uma conversão dos meios de pagamentos que já temos, que levará o dinheiro a ser eletrônico. Mas não há razão para pensar em colapso do Real, não há nada no horizonte que determine um colapso dessa moeda.

Há alguma bolha no mercado financeiro mundial hoje da qual investidores devem se atentar?

Carlos: Risco de bolhas existem inúmeros no mercado. A distorção entre o mercado real e financeiro é um dos pontos a se observar, quando ações se valorizam, mas o mercado real vai mal.

Fatalmente nos próximos anos teremos uma queda no mercado de startups, porque com a taxa de juros subindo, os capitais de risco devem sumir e só devem sobreviver os mais fortes.

Acho que também há um risco de bolha na China, nas mais diversas dimensões. Balanços dos bancos e imóveis na China devem ser tratados. A própria guerra provocada pela Rússia, então não falta risco de colapso do mercado e surgimento de bolhas nos segmentos que comentei.

Bitcoin é um hedge financeiro? Qual a melhor forma de proteger um patrimônio?

Carlos: Eu diria que o bitcoin é um hedge financeiro sim, mas com alguns cuidados. Quando pensamos em hedge pensamos em proteção, em se segurar de alguma variação.

Talvez o hedge do bitcoin seja bom para operações com criptomoedas, mas para operações de importação e exportação, crédito, talvez o Dólar ainda seja a melhor opção, especialmente para negócios empresariais.

Independente do retorno, é importante que as pessoas invistam em ativos que conheçam, seja de imóveis ou de renda fixa.

O que espera os investidores brasileiros em 2023? Quais os desafios do mercado financeiro?

Carlos: Os desafios para 2023 derivam da situação política, difícil não só no Brasil. Os riscos de bolhas também devem ser considerados pelos investidores, que devem manter a cautela e se preparar para estouro de crises.

Mas acho que há uma expectativa positiva no olhar de que alguns princípios da economia, no ponto de vista macro, que são relevantes para que hajam poucas instabilidades criadas por nós mesmos. Acho que a tensão maior tem que ficar nos mercados externos, principalmente China e Estados Unidos.

O Brasil deveria fazer reformas administrativas, tributária, e reformas que dependem das necessidades do Estado.

O mercado já está acostumado com as turbulências externas, mas é importante ter cuidado com estouros de bolhas, evitando muita exposição ao risco, ainda que a diversificação seja importante, com olhar estratégico sobre o que pode ocorrer daqui para frente.

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