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Fundo brasileiro de criptomoedas pode ter perdido 12% do patrimônio na FTX

1 h ago6 min readBitcoin
Fundo brasileiro de criptomoedas pode ter perdido 12% do patrimônio na FTX

O fundo brasileiro da Giant Satoshi, que pertence à gestora Giant Steps Capital, pode ter perdido dinheiro dos investidores por ter uma exposição direta à FTX, corretora que desmoronou e deixou de pagar os clientes no início de novembro.

Dados mais recentes sobre a alocação do principal fundo do grupo, o Giant Satoshi II Master, mostram que em julho deste ano, 11,9% do patrimônio líquido do produto estava em bitcoin mantido na FTX. Essa porcentagem era equivalente a 16 BTCs, cotados a R$ 2 milhões na época.

Esses dados estão visíveis nos relatórios mensais enviados à Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM). Por ser regulado, os gestores do fundo são obrigados a divulgar uma série de dados sobre o produto, incluindo número de cotas, rentabilidade, onde o dinheiro está sendo alocado, entre outras informações.

Na CVM, no entanto, só é possível visualizar detalhes sobre o fundo Giant Satoshi até julho, uma vez que a empresa usou uma manobra legal para ocultar ao público geral os relatórios dos últimos três meses — agosto, setembro e outubro.

Dessa forma, não é possível sabe ainda qual era a posição da gestora na FTX quando a corretora travou o dinheiro dos clientes, inclusive dos institucionais.

O Portal do Bitcoin procurou a equipe da Giant Steps para saber se a gestora tinha fundos na FTX durante o colapso, mas até a publicação desta reportagem, a empresa não havia respondido.

Enquanto isso, especialistas do mercado cripto especulam se a Giant Satoshi sofreu prejuízo ao ter fundos na FTX. O economista e consultor de investimentos, Lorenzo Frazzon, explica que, embora seja uma prática normal de mercado usar o período legal de ocultação das posições, “é incoerente ocultar as posições em criptoativos”.

“Isso vai contra os princípios do universo cripto que preza pela transparência”, diz o economista. “É muito provável que eles ainda tinham fundos na FTX, mas somente saberemos após as informações se tornarem públicas. Se eles foram rápidos é possível que os fundos tenham sido retirados, mas eles teriam que estar com as posições em contratos futuros zeradas, e isso pode ter atrasado o resgate”.

Outro fundo de criptomoedas brasileiro atingido pela ruína da FTX foi o Titanium Cripto Structure, administrado pela Vórtx. Em nota de fato relevante divulgada nesta quarta-feira (23), a gestora confirmou que possui criptomoedas presas na FTX, que causam um impacto negativo de -10,48% no patrimônio líquido do fundo Titanium Cripto Structure.

Frazzon explica que agora resta esperar a Giant Satoshi vir a público da mesma forma para elucidar os investidores. “Casos eles [Giant Satoshi] ainda tivessem bitcoins custodiados na FTX e não conseguiram sacar, precisamos aguardar a posição do Administrador do Fundo (Banco Genial S.A) sobre como eles vão proceder na marcação a mercado dessa posição. O mais prudente seria já reconhecer a perda desses ativos, na minha opinião”, declarou.

A relação entre Giant Steps e FTX

Ao analisar o histórico de dados da CVM, é possível ver que o Giant Satoshi passou a ganhar exposição a FTX a partir de abril deste ano, mantendo a posição até os dados mais recentes disponíveis, de julho.

O fundo mantinha a maioria do seu bitcoin armazenado na Fidelity até março, uma custodiante institucional regulada nos EUA. Em abril, o fundo dividiu a posição para mandar 20 BTC para a FTX, mantendo 84,1% da reserva do ativo na Fidelity e 14,9% na FTX.

As posições entre as duas empresas se mantiveram nesse patamar até julho, quando o balanço de bitcoin na FTX caiu para 16 BTC, reduzindo a exposição do patrimônio líquido do fundo na corretora em 11,9%.

A estimativa é que pelo menos 636 cotistas tinham exposição ao Giant Satoshi II Master, uma vez que ele serve de referência para outros dois produtos: o Giant Satoshi Cripto Advisory, fundo cripto mais popular do grupo, destinado aos clientes da XP, que também é sócio-investidor da Giant Steps; e o Giant Satoshi Cripto, oferecido para investidores de outras corretoras.

Os relatórios disponíveis mostram que além de manter bitcoin na FTX, o fundo também tinha exposição ao token nativo da corretora, o FTT. De abril a julho, o fundo tinha 250.028 FTT na sua composição.

A exposição ao token nativo da FTX, no entanto, pode ser uma forma de conseguir pagar taxas mais baratas dentro da corretora, já que essa era a principal utilidade do FTT, um token que perdeu quase todo seu valor no início do mês com a ruína da empresa de Sam Bankman-fried.

Outra gestora brasileira cujo fundo de criptomoedas estava exposto ao FTT, a BLP Crypto, veio a público acalmar os investidores na semana que a FTX travou os saques, para explicar que havia conseguido agir a tempo para liquidar a posição de FTT antes do crash.

Procurada, a Giant Steps não comentou a exposição de seus fundos ao FTT.

As estratégias do Giant Satoshi

Quando o Giant Satoshi foi lançado em novembro do ano passado, sua estratégia se limitava em manter exposição a apenas as duas criptomoedas líderes do mercado, Bitcoin e Ethereum.

A grande propaganda para atrair investidores, no entanto, era ser o “primeiro fundo do Brasil que busca performar acima do Bitcoin”.

“Por ser um fundo com gestão ativa, capaz de surfar as altas de preço e se defender das quedas, Satoshi foi criado tanto para aqueles que já investem em cripto, quanto para os que ainda não entraram neste universo”, diz a descrição do fundo no site da Giant Steps.

As estratégias dos gestores, no entanto, não conseguiram fazer o fundo desviar das quedas generalizadas das criptomoedas que só pioraram desde o início do ano, com o bitcoin marcando em novembro a sua pior cotação em dois anos.

O Giant Satoshi Cripto Advisory, o principal fundo do grupo, entregou um retorno de -75,7% aos investidores no ano, o que representa um desempenho pior do que do bitcoin em si, cujo preço caiu 65,4% no mesmo período.

Além de manter bitcoin parado em custódia, os dados abertos da CVM mostram que outra estratégia do fundo era investir em contratos perpétuos de bitcoin no mercado de futuros. Os relatórios não especificam em que plataforma os gestores da Giant Satoshi negociavam esses contratos, informando apenas ser em bolsa ou mercado de balcão organizado dos EUA.

Por essa série de fatores citados acima, o fundo só emagreceu ao longo do ano. Se em janeiro o patrimônio líquido do Giant Satoshi era de R$ 26 milhões, em outubro esse número não passava de R$ 13,2 milhões.

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