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Estudos investigam efeito negativo da Copa do Mundo sobre mercados de ações e criptomoedas

2 h ago5 min readOther
Estudos investigam efeito negativo da Copa do Mundo sobre mercados de ações e criptomoedas

A Copa do Mundo do Catar é a quarta da história do Bitcoin (BTC) e a terceira em que a influência do maior evento esportivo do mundo em relação ao mercado de criptomoedas pode ser efetivamente medida.

Ainda assim, os movimentos naturais dos ciclos do mercado de criptomoedas estruturados em torno do halving do Bitcoin falaram mais alto até hoje. O fraco desempenho do mercado de criptomoedas durante os anos de Copa do Mundo está relacionado ao fato de que o estágio de desalavancagem após os ciclos de alta coincide com o calendário da FIFA (Federação Internacional de Futebol). O torneio ocorre de quatro em quatro anos, assim como o halving.

Como resultado, 2014, 2018 e 2022 foram anos marcados por rigorosos invernos cripto, o que nos levaria a crer que a Copa do Mundo tem pouca ou nenhuma influência sobre o mercado de ativos digitais.

No entanto, a Copa do Mundo de 2022 é a primeira edição em que os fan tokens, criptoativos vinculados a agremiações esportivas, estabeleceram-se como um dos principais nichos de mercado e os ativos digitais que compõem esse ecossistema particular têm sido alvo de forte especulação.

Desde a metade do ano, foram testemunhadas fortes valorizações por um lado, a depender dos resultados de campo e das expectativas dos torcedores, assim como quedas igualmente expressivas quando os investidores guiados pela paixão dão vazão às suas frustrações no mercado. O fato é que até agora, a ação de preço dos fan tokens está dissociada das condições gerais do mercado.

Uma ideia mais ampla e estatisticamente validada poderá ser compilada após o fim da competição: trata-se de movimentos de preço racionais, baseados em fundamentos, ou irracionais, motivados pelos sentimentos à flor da pele que o futebol costuma despertar?

Enquanto esperamos por estas respostas, vale observar os resultados e conclusões de duas pesquisas dedicadas à investigação do "efeito Copa do Mundo" sobre os mercados acionários globais, com destaque para os EUA.

A relação entre a Copa do Mundo e o desempenho das ações

O ano de 2022 foi marcado por uma forte correlação entre os mercados de criptomoedas e de ações, embora os efeitos do colapso da FTX tenham provocado um desvio nesta curva justamente às vésperas da Copa do Mundo.

Em um ano marcado por perdas rigorosas não apenas para as criptomoedas, mas também para todos os ativos de risco, a Copa do Mundo não se configura como um evento benéfico para os mercados. Pelo contrário, dados históricos mostram que também os mercados financeiros tradicionais tiveram desempenhos abaixo da média durante a maioria das Copas do Mundo analisadas.

Um estudo acadêmico intitulado “Sports Sentiment and Stock Returns” ("Sentimento Esportivo e o Retorno das Ações", em tradução livre) revelou que os mercados de risco globais tendem a ter um desempenho fraco durante a Copa do Mundo. Não apenas no que diz a volumes de negociação deprimidos, mas também em termos de retornos negativos.

No caso das ações dos EUA, por exemplo, o estudo constatou que o retorno médio do mercado de ações durante as copas disputadas desde 2002 foi de -2,58%.

O estudo também descobriu que quando a seleção de um determinado país vai mal na Copa do Mundo, o sentimento negativo dos torcedores tem reflexo nos seus respectivos mercados de ações.

Como entre todas as seleções, apenas uma se sagra campeã ao final do torneio, os retornos do mercado de ações são significativamente menores do que a média dos demais dias do ano. Embora esperassem que a conquista do título pudesse ter um efeito positivo no mercado acionário do país vencedor, isso não costuma acontecer. Pelo menos não no sentido de se dissociar claramente da média dos demais dias do ano.

Shorts são a melhor estratégia de investimento

Em um outro estudo intitulado “Irracionalidade previsível que pode ser explorada”, dois acadêmicos defendem a tese de que o efeito negativo da Copa do Mundo sobre os mercados acionários se deve à época do ano em que a competição costuma acontecer – junho e julho. Tradicionalmente, o verão no hemisfério norte testemunha um declínio no volume de negociação e afeta os retornos dos investidores negativamente.

Os autores argumentam que, como esse efeito é previsível, os investidores podem encontrar alguns meios de explorar para explorá-lo e obter retornos acima da média do período. A estratégia mais lucrativa para os investidores é montar operações de venda a descoberto antes do início da Copa do Mundo.

Assim, afirma o estudo, normalmente são verificadas quedas de preço já às vésperas do início do torneio. E os investidores que se aproveitam do efeito da Copa do Mundo para shortar o mercado contribuem para aprofundar as quedas nos preços dos ativos induzidas pelo torneio, beneficiando-se de um efeito circular positivo.

Segundo os autores, "a Copa do Mundo é como uma precificação irracional de opções que não desaparece com o tempo."

Outro fator que reforça o declínio dos mercados durante a Copa do Mundo é o fato de que se trata do evento mais popular do mundo, e até mesmo os investidores voltam suas atenções para os gramados e deixam os altos e baixos dos gráficos de lado.

A Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia, atraiu a atenção de mais de 3 bilhões de telespectadores do mundo inteiro, possivelmente resultando em negociações menos frequentes nos mercados financeiros globais e em operações especulativas menos arriscadas do que o habitual.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, os resultados da Copa do Mundo do Catar já estão se refletindo nos movimentos do mercado de criptomoedas. O fan token da seleção da Argentina caiu 35% após a derrota inesperada para a Arábia Saudita.

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