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Empresa brasileira trava saques de criptomoedas e diz ter sido hackeada

12 Aug, 20223 min readRegulation
Empresa brasileira trava saques de criptomoedas e diz ter sido hackeada

A BlueBenx, uma empresa investigada pela CVM pela oferta irregular de investimentos em bitcoin, suspendeu os saques de todos os clientes da plataforma na quinta-feira (11), alegando ter sofrido um ataque hacker.

Em e-mail enviado a clientes ao qual o Portal do Bitcoin teve acesso, a empresa justifica o bloqueio repentino do dinheiro dos clientes:

“Na última semana sofremos um hack extremamente agressivo em nossos pools de liquidez na rede de criptomoedas, após tentativas incessantes de resolução, hoje iniciamos nosso protocolo de segurança com a suspensão imediata das operações dos produtos do BlueBenx Finance, incluindo saques, resgates, depósitos e transferências.”

Na nota, a BlueBenx não oferece qualquer detalhe sobre o suposto ataque hacker, nem informa se valores foram perdidos no incidente. Os saques continuarão bloqueados por, no mínimo, 180 dias.

A empresa diz que para solucionar a situação, criou uma “estrutura de gerenciamento de riscos” que ficará a cargo do escritório de advocacia Nicolia Dos Anjos Sociedade de Advocacia.

O grupo informa ainda que passará a responder clientes e dar mais informações a partir de segunda-feira (15). “BlueBenx possui ativos valiosos e estamos trabalhando diligentemente para cumprir nossas obrigações”, promete.

“Entendemos que esta notícia é difícil, mas acreditamos que nossa decisão de pausar saques, depósitos e transferências entre contas é a ação mais responsável que podemos tomar para proteger nossa comunidade”, completa a empresa.

As operações suspeitas da BlueBenx

As primeiras denúncias de investidores contra a Bluebenx sobre potenciais irregularidades envolvendo proposta de investimento em criptomoedas chegaram na CVM em agosto de 2019. As potenciais irregularidades passaram então a serem observadas pela Superintendência de Proteção e Orientação a Investidores (SOI) cerca de um mês depois.

Em janeiro deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou um acordo de R$ 150 mil proposto pela Bluebenx Tecnologia Financeira S.A. e seu sócio administrador, Roberto de Jesus Cardassi, para encerrar um processo na autarquia que investiga desde 2019 oferta irregular de investimentos em bitcoin.

Segundo relatório da CVM, a Bluebenx realizou oferta Contratos de Investimento Coletivo (CICs) em sua página na internet e divulgou retornos de investimento elevados para quem investisse em bitcoins. Um dos produtos oferecidos e descrito no documento era chamado de “Bluebenx bonds”.

“A acusação teve origem em processo que tratou da investigação de indícios de oferta pública irregular, em tese, de valor mobiliário por meio do endereço na rede mundial de computadores (https://bluebenx.com/)”, diz um trecho do documento.

Na decisão, a CVM listou vários artigos que regulam o mercado de valores mobiliários, sendo um deles o art. 19: “Nenhuma emissão pública de valores mobiliários será distribuída no mercado sem prévio registro na Comissão”.

“Em relação à materialidade da infração, a Área Técnica destacou, resumidamente, que: (i) foi possível constatar que a BLUEBENX mantinha ativa uma página na rede mundial de computadores onde eram oferecidas “cotas de investimento” e “planos de remuneração” para os investidores interessados”, destacou a CVM.

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