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Criminosos estão dominando os mixers de criptomoedas, mostra relatório da Chainalysis

16 Jul, 20224 min readBlockchain
Criminosos estão dominando os mixers de criptomoedas, mostra relatório da Chainalysis

Mixers de criptomoedas são serviços que permitem que usuários “apaguem” o rastro do dinheiro digital deixado por grande parte das transações em redes blockchain, como bitcoin (BTC) e ether (ETH). Esses serviços dificultam a análise do que estaria disponível e facilmente acessível na blockchain.

Enquanto defensores da privacidade defendem mixers de criptomoedas como uma forma importante de proteger a identidade de usuários individuais, um novo relatório da empresa de inteligência em blockchain Chainalysis afirma que a maior parte das criptomoedas enviadas a mixers este ano foi encaminhada por criminosos e países que recebem sanções econômicas do Ocidente.

“Endereços ilícitos representam 23% dos fundos enviados a mixers até agora em 2022 — frente aos 12% registrados em 2021”, informa a Chainalysis – o principal tipo de endereços que envia dinheiro aos mixers.

A empresa reconhece que existem muitas razões legítimas para usar mixers, como para a negociação de cripto em um governo opressor ou a anonimidade legal de transações confidenciais.

“Porém, a funcionalidade principal de mixers, combinada com o fato de raramente, ou quase nunca, solicitarem informações KYC [ou “know your client”, de identificação pessoal], torna-os bastante atrativos a cibercriminosos”, afirma a Chainalysis.

A empresa de análise também alega que mixers receberam mais criptomoedas em 2022 do que nunca.

Uso sigiloso

Conforme o próprio nome sugere, “mixers” — também conhecidos como “tumblers” — unem transações depositadas por muitos usuários e as misturam. Na sequência, usuários recebem seus fundos equivalentes da quantia total ofuscada e com as taxas já descontadas.

Segundo a Chainalysis, mixers são classificados como transmissores monetários nos Estados Unidos sob a Lei de Sigilo Bancário (ou BSA, na sigla em inglês).

Transmissores monetários devem ser registrados na Rede de Combate a Crimes Financeiros (ou FinCEN) e implementar um programa de combate à lavagem de dinheiro. Mesmo assim, a empresa disse que não tem informações sobre algum mixer que siga normas relacionadas a políticas de KYC ou de proteção à lavagem de dinheiro (ou PLD).

Autoridades americanas já acusaram, sancionaram e multaram diversas operações de mixers desde 2021.

Em agosto de 2021, Larry Harmon, CEO do mixer de bitcoin Helix, declarou-se culpado por acusações de lavagem de dinheiro por supostamente lavar 345.468 BTC, equivalentes a US$ 300 milhões na época. Harmon, que também operava o serviço de mixing Coin Ninja, foi multado em US$ 60 milhões.

Em abril deste ano, o Departamento de Justiça dos EUA (ou DOJ) cooperou com autoridades alemãs para confiscar os servidores do site russo da darknet Hydra e sancionou o site.

Em maio, o Gabinete de Controle de Ativos Estrangeiros (ou OFAC) do Departamento do Tesouro Americano emitiu sanções ao serviço de mixing cripto Blender.io por possuir ligações à Coreia do Norte, classificado como a primeira sanção desse tipo. De acordo com a agência, cerca de US$ 21 milhões dos US$ 622 milhões que haviam sido roubados da bridge Ronin do jogo Axie Infinity foram enviados ao Blender.

Em junho, cibercriminosos enviaram US$ 36 milhões em ethers (ETH) roubados da bridge Horizon do protocolo Harmony ao serviço de mixing Tornado Cash. Na sequência, a Chainalysis lançou um programa de resposta a incidentes disponível 24 horas por dia para auxiliar vítimas de hackers e ataques de ransomware.

#PeckShieldAlert ~18k $ETH (~22m) into 0x1e…6430 from @harmonyprotocol exploiters — PeckShieldAlert (@PeckShieldAlert) June 27, 2022

A Chainalysis afirma que os fundos que passam por mixers vêm principalmente de corretoras centralizadas, protocolos de Finanças Descentralizadas (ou DeFi) e endereços conectados a atividades ilícitas relacionadas a países sancionados, mercados da darknet e hackers, como o grupo Lazarus da Coreia do Norte.

Em breve, mixers podem se tornar obsoletos — pelo menos, de acordo com a Chainalysis, conforme a empresa “continua refinando” sua capacidade em “desmisturar” determinadas transações e verificar a fonte original dos fundos.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização do Decrypt.co.

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