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Conheça o stETH, token sintético que levou fundos e protocolos de empréstimos ao colapso

29 Jun, 20225 min readEthereum
Conheça o stETH, token sintético que levou fundos e protocolos de empréstimos ao colapso

Junho foi o mês no qual o mercado de criptomoedas enfrentou um verdadeiro colapso. O preço do Bitcoin (BTC), por exemplo, opera em queda superior a 36%, enquanto a Ether (ETH) cai 40%.

E não foi apenas no preço que o mercado enfrentou problemas, já que vários fundos de investimento e protocolos de empréstimos registraram fortes perdas. Os casos do fundo Three Arrows Capital (3AC) e da Celsius Network tiveram a maior repercussão.

O 3AC registrou enormes perdas de liquidez e, recentemente, deixou de pagar um empréstimo de US$ 660 milhões para a exchange Voyager Digital, enquanto a Celsius paralisou os saques dos clientes e não tem data para retomar as operações.

Além do colapso, a 3AC e a Celsius possuem outra coisa em comum: seus problemas começaram por causa de um token sintético de ETH, chamado stETH. Portanto, conheça mais sobre este token e como ele levou o mercado ao atual cenário de baixa, com base em informações da Delphi Digital.

O que é stETH?

O stETH é um token sintético, ou seja, seu valor é atrelado a outro ativo independente. Neste caso, ao valor da ETH. Este token é utilizado especialmente em plataformas de staking, dentre as quais se destaca a Lido Finance.

Como a ETH ainda não realizou sua mudança de mineração para Prova de Participação (PoS), a atividade está restrita a alguns protocolos. O stETH atua como sintético nesses protocolos: cada vez que alguém deposita ETH em staking, recebe uma quantidade de stETH.

Da mesma forma, quando os saques são ativados, os titulares poderão resgatar stETH a uma taxa de um para um. Uma vez que o sistema funciona assim, o stETH deve, no melhor cenário, valer o mesmo (em dólares) que vale uma ETH.

Oportunidade de lucro

Contudo, há momentos em que o stETH pode oscilar de valor. Toda vez que isso acontece, os investidores têm uma oportunidade de lucrar através de arbitragem:

  • Se o stETH estiver negociando acima de um ETH, os usuários podem depositar ETH no Lido e receber stETH em troca, vendendo o stETH no mercado aberto;
  • Se o stETH estiver negociando abaixo de um ETH, os usuários podem comprar stETH com desconto e resgatá-lo por ETH, vendendo a ETH.
  • Em ambos os casos, o investidor lucra com a diferença de preço na operação.

    Contudo, a Lido ainda não habilitou as retiradas de ETH na plataforma. Portanto, o stETH mantém sua vinculação ao ETH por meio de um pool na exchange descentralizada (DEX) Curve, chamado StableSwap.

    Recentemente, esse pool ficou desequilibrado, ou seja, tinha mais stETH do que ETH. Como resultado, o token foi negociado com um desconto de até 5% em relação ao ETH. E foi este desconto que deu início ao problema.

    Relação entre stETH e ETH

    Antes de entender o desconto, é importante destacar a magnitude do Lido e do stETH em relação ao staking do Ethereum.

    De acordo com dados do Lido e da Delphi Digital, o protocolo sozinho detém 32% de todo o ETH deixado em staking. Em números absolutos, isso significa 3,3% da oferta total de ETH em circulação, ou seja, mais de quatro milhões de ETH estão alocados no Lido.

    Além disso, o stETH é o maior token sintético desse mercado, detento 90% de participação total. Esses efeitos de liquidez e rede são extremamente fortes no Ethereum e permitiram que o stETH fosse integrado ao Aave e ao Maker como uma forma de garantia.

    Essas integrações servem como uma grande vantagem para o stETH, permitindo que os investidores utilizassem o token nas finanças descentralizadas (DeFi) como se fosse ETH. Ao mesmo tempo, a operação permitia aos investidores obter rendimentos – atualmente 4,07%.

    Dada a posição de mercado dominante da stETH dentro do staking de ETH, o que causou a perda de paridade do token?

    Conforme mencionado anteriormente, o stETH ainda não é resgatável por ETH. Por isso, ele tem mantido seu peg através do pool StableSwap, que opera o par de stETH-ETH. O problema é que com a desvalorização da ETH no mercado, o pool começou a perder liquidez.

    Ele chegou a ter mais de US$ 3,3 bilhões em ativos, numa proporção de quase 50/50 de stETH/ETH. Isto era um nível saudável. Mas com as quedas, o pool tem somente US$ 660 milhões no momento da escrita deste texto.

    Para piorar. a relação é de 80/20 a favor do stETH, ou seja, tem muito mais stETH do que ETH. Por isso que o token perdeu muito de seu valor, chegando a ter um desconto de até 8% em relação à ETH.

    O colapso

    E é aqui que entram a Celsius e a 3AC. Os dois grandes players do mercado tiveram uma exposição significativa ao stETH através dos pools.

    Devido aos seus problemas, eles foram forçados a desfazer uma grande parte de sua posição (centenas de milhares de stETH), vendendo muito stETH no mercado. Como haviam mais vendedores do que compradores do token, sua paridade sofreu uma pressão significativa.

    Essa desvinculação, juntamente com uma venda maior do mercado, fez com que quem utilizava stETH como garantia de empréstimos em DeFi começasse a reembolsar seus empréstimos.

    Em suma, os investidores liquidaram seus empréstimos em busca de liquidez imediata – algo que o stETH ainda não pode oferecer. Com isso, o preço caiu ainda mais.

    Não se sabe até onde vai essa crise ou se o stETH ainda vai recuperar sua paridade. Mas enquanto o mercado não se recuperar, é provável que o token siga negociando com um forte desconto.

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