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Como o Bitcoin reagiu ao FED em setembro e o que esperar após novo aumento da taxa de juros dos EUA

1 Nov, 20225 min readBitcoin
Como o Bitcoin reagiu ao FED em setembro e o que esperar após novo aumento da taxa de juros dos EUA

Na quarta-feira, 2 de novembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Banco Central dos EUA se reúne para divulgar um novo aumento da taxa de juros da maior economia do planeta. Ao longo de 2022, a iminência de tais eventos têm elevado o grau de ansiedade dos mercados, especialmente no que diz respeito aos ativos de risco, provocando fortes explosões de volatilidade no preço das criptomoedas.

Uma análise publicada pela Arcane Research em seu boletim semanal de mercado mostra que o mercado de criptomoedas registra a melhor performance no intervalo de tempo que separa a última reunião do FOMC, realizada em 21 de setembro, até o momento presente.

Não apenas isso, entre as principais classes de ativos financeiros, Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) foram os únicos que apresentaram variação positiva no período, como destaca o relatório:

"Desde a última reunião do FOMC, a criptomoeda superou amplos mercados financeiros. O ETH e o BTC enfrentaram uma enorme pressão de venda de curta duração imediatamente após o anúncio do FOMC, mas se recuperaram confortavelmente desde então e têm se mantido no verde. Os índices de ações e o ouro, ao contrário, estão no vermelho. Este é um sinal positivo de força relativa das criptomoedas, e podem ser notados leves sinais de que as correlações com ativos de risco estão declinando. No entanto, reuniões do FOMC tendem a desencadear um aumento da correlação entre estas classes de ativos, algo que provavelmente se repetirá nesta quarta-feira."

Bitcoin e Ether subiram 5% e 15%, respectivamente, desde 21 de setembro, segundo a Arcane Research. Enquanto isso, o DXY manteve-se estável, o Índice S&P 500 caiu 1%, o ouro, 3% e o Índice Nasdaq, 4%.

Performance dos ativos desde a última reunião do FOMC em 21 de setembro. Fonte: Arcane Research

Expectativa do mercado

Independentemente de a reunião desta quarta-feira apresentar ou não surpresas para o mercado no que diz respeito à taxa de juros e à política monetária mais ampla do Fed, inclusive com vistas a 2023, espera-se que a correlação entre criptomoedas e ações volte à cena, acompanhada de alta volatilidade.

O mercado está preparado para um novo aumento de 0,75% da taxa de juros base dos EUA. No entanto, destaca o relatório, alguns analistas acreditam que uma alta mais moderada já nesta próxima reunião não pode ser totalmente descartada.

Um claro sinal de afrouxamento da política monetária restritiva atualmente em curso viria sob a forma de um aumento de 0,5%. Atualmente, 14% do mercado aposta nesta possibilidade, enquanto 86% acredita que 0,75% é, de fato, mais provável.

No entanto, as probabilidades de um aumento menor ganharam força na semana passada, segundo a Arcane Research. Com isso, caso esta expectativa seja frustrada e o aumento de 75 pontos-base se confirme, os mercados devem reagir negativamente.

Volatilidade

Embora o Bitcoin esteja atravessando um raro período de volatilidade reduzida, preso em uma faixa estreita de preço entre US$ 18.125 e 21.085 desde a queda intradiária de 10% em 13 de setembro, a última reunião do FOMC no dia 21 do mesmo mês desencadeou o maior pico diário de volatilidade da história do Bitcoin.

Na ocasião, o preço do BTC registrou flutuações médias de 0,81% durante a conferência de imprensa. Este é um padrão relativamente recente para o Bitcoin. Entre abril de 2021 a janeiro de 2022, antes do início do ciclo de aumento das taxas de juros do Fed, a volatilidade em dias de reuniões do FOMC era mais brando, chegando no máximo a 0,18%.

À medida que a correlação com o mercado acionário e a suscetibilidade às condições macroeconômicas aumentaram, os dias do evento passaram a registrar uma volatilidade mais acentuada. De março a julho, atingiu 0,33%, em média, por minuto.

Durante e após a reunião de setembro, o preço do BTC despencou de US$ 19.956 para US$ 18.125 em menos de 4 horas. Em seguida, houve uma recuperação forte que devolveu parte – das perdas – embora não integralmente –, elevando o par BTC/USD de volta acima dos US$ 19.000. Em 24 horas, o Bitcoin registrou uma queda de 3%, mas as variações intradiárias chegaram a 9%.

Gráfico de 1 hora BTC/USD nos dias 21 e 22 de setembro antes e depois da última reunião do FOMC. Fonte: TradingView

Por fim, o relatório da Arcane Research alerta os investidores que, embora a volatilidade possa apresentar oportunidades de ganho, as expectativas e os fatos em torno das decisões do Fed "são notoriamente difíceis de negociar".

Na tarde desta terça-feira, a menos de 24 horas antes da reunião do FOMC, o par BTC/USD é negociado a US$ 20.475, registrando uma alta leve de 0,4% nas últimas 24 horas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

O analista Diego Consimo, fundador da Crypto Investidor, os níveis a serem observados no curto prazo estão em US$ 20.000 como suporte e US$ 22.500 como próximo alvo de alta uma vez consolidado o rompimento da atual resistência em US$ 21.000, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente.

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