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Bitcoin fecha semana no verde mas preços baixos ainda estressam mineradores, diz Glassnode

7 Jun, 202213 min readMining
Bitcoin fecha semana no verde mas preços baixos ainda estressam mineradores, diz Glassnode

Após nove semanas consecutivas no vermelho, o bitcoin (BTC) finalmente conseguiu registrar seu primeiro candle semanal no verde, apesar do ganho nos últimos sete dias ser tímido, de apenas 1,57%.

A criptomoeda líder do mercado foi negociada entre uma alta semanal de US$ 31,9 mil e uma baixa de US$ 29.375.

À medida que o BTC é negociado abaixo da faixa de preço do ciclo de 2021-2022, a grande maioria dos compradores nos últimos 17 meses estão armazenando seus ativos em prejuízos não realizados.

A intensidade dessa incerteza e desse estresse no mercado é notável nos dados em blockchain, com uma dependência contínua em holders a longo prazo para arcar com a sobrecarga.

A Glassnode também percebe que as receitas de mineradores estão caindo significativamente apesar da alta na dificuldade. Isso sugere que as operações de mineradores expandiram, o capital foi gasto e os custos de produção aumentaram à medida que as receitas estão diminuindo.

Conforme múltiplos de lucro se comprimem em todos os aspectos e o estresse financeiro aumenta, a maior probabilidade é que o mercado esteja na segunda e historicamente final fase de capitulação de um mercado de baixa do bitcoin.

Baixas históricas

Dentre todos os modelos que mapeiam as zonas de valor no mercado do bitcoin, dois indicadores simples, porém poderosos, são utilizados por analistas: o múltiplo de Mayer e o preço realizado.

O modelo do múltiplo de Mayer é um oscilador definido como a proporção entre preço e a média móvel de 200 dias. Assim, o múltiplo de Mayer representa o desvio desse preço médio no longo prazo como uma ferramenta para medir condições de sobrecompra e sobrevenda que incorporam pontos de dados que englobam a durabilidade do bitcoin.

Após a análise original, as condições de sobrecompra ou sobrevenda coincidiram com o múltiplo de Mayer, caindo na faixa entre 0,6 e 0,8. Esses múltiplos são aplicados à média móvel de 200 dias (gráfico abaixo) para demonstrar as zonas desvalorizadas, segundo o múltiplo de Mayer (múltiplo de Mayer em 0,6 < preço < múltiplo de Mayer em 0,8).

Ao longo dos últimos quatro bear markets, o preço de mercado entrou nessa faixa de valor em duas fases distintas:

Fase A – no início do mercado de baixa quando a liquidação inicial, após a alta recorde, fez investidores entrarem em pânico;

Fase B – fim do mercado de baixa, quando o mercado entrou em uma formação de fundos e de capitulação.

No atual mercado, o preço está oscilando nessa zona de valor (entre US$ 25,2 mil e US$ 33,7 mil) desde 5 de maio, assemelhando-se mais à Fase B de ciclos de baixa anteriores. De uma perspectiva probabilística, o preço do bitcoin só esteve abaixo de um múltiplo de Mayer de 0,8 por 7,9% dos dias de negociação.

O modelo de preço realizado é o antigo indicador macro para o mapeamento dos fundos de ciclo. Atualmente, o preço realizado está em US$ 23,6 mil e representa a base estimada de custo médio de todas as moedas no fornecimento do Bitcoin com base no preço de quando foram movimentadas pela última vez na blockchain.

Em outros ciclos de mercado de baixa, quando os preços spot (ou à vista) eram negociados abaixo do preço realizado, sinalizava probabilidades elevadas de uma baixa macro sendo estabelecida.

Historicamente, a base de custo total do mercado (ou o preço realizado) esteve em um nível de suporte bem sólido no ciclo, em que 84,9% dos dias de negociação do bitcoin fecharam acima desse nível. Em outras palavras, apenas 15,1% dos dias de negociação fecharam abaixo do preço realizado, fornecendo uma convergência similar com o múltiplo de Mayer de 0,8.

Um prolongado mercado de baixa e a rentabilidade

Após ter avaliado a estrutura do mercado de baixa anterior para formular uma possível zona de ciclo de baixa, a confiança dessa afirmação pode ser verificada ao quantificar o grau de “dor no mercado de baixa” sentido por toda a rede.

A métrica de Lucro/Prejuízo Líquido não Realizado (ou NUPL) mapeia todo o lucro e prejuízo não realizado da rede como uma proporção da capitalização de mercado. Além disso, o NUPL pode ser usado como uma bússola para avaliar essa tolerância à dor do mercado.

Desde o início de maio, o NUPL oscilou em uma faixa comprimida entre 18,6% e 25%, indicando que menos de 25% da capitalização está sendo armazenada em lucro. Isso se assemelha a uma estrutura de mercado equivalente a fases de pré-capitulação em outros mercados de baixa.

Quando há uma capitulação, o NUPL geralmente negocia abaixo de um prejuízo não realizado de até -25% vezes a capitalização de mercado. Dado o atual preço realizado de US$ 23,6 mil, a faixa correspondente de preço de US$ 23,6 mil para US$ 20.560 é onde o NUPL indicaria um contexto de capitulação em grande escala.

É importante destacar que o ciclo do NUPL está subindo gradualmente como consequência tanto de moedas perdidas como moedas armazenadas há muito tempo (“HODLed”). Esse impacto pode ficar ainda mais intenso com a apresentação de derivativos, que permite a proteção ao risco sem a venda da exposição spot.

Já que o NUPL rastreia o lucro e o prejuízo não realizado no mercado, é possível complementá-lo com uma investigação dos prejuízos realizados para medir a verdadeira resposta dos investidores.

Aqui, o prejuízo realizado e cumulativo (90 dias) é apresentado como uma proporção com a capitalização de mercado para normalizar o tamanho do mercado.

Consistente com o padrão destacado do mercado de baixa de duas fases nos modelos do múltiplo de Mayer, o gráfico do prejuízo realizado e cumulativo também denota dois estágios em um mercado de baixa.

A onda inicial de prejuízos do ciclo atual já foi realizada por meio da queda após a alta recorde entre maio e julho de 2021 (Fase A). Neste momento, o mercado está vivenciando a Fase B, onde a probabilidade de uma capitulação acontecer é alta e prejuízos contínuos sendo realizados na blockchain.

Prejuízos sobre os ombros dos holders a longo prazo

Uma das tendências mais longas de um mercado de baixa é a decrescente participação de holders a curto prazo (ou STHs), pois especuladores são removidos do mercado.

Como consequência, holders a curto prazo acabam armazenando menos moedas e holders a longo prazo (ou LTHs) acumulam e dominam o fornecimento em circulação. Essa tendência é resultado de dois acontecimentos paralelos que acontecem em um mercado de baixa:

Fase A: Holders a curto prazo que adquiriram bitcoin próximo ao topo histórico estão imediatamente em prejuízo, reduzindo seu fornecimento geral em lucro.

Fase B: A acumulação de holders a longo prazo persiste durante a baixa, apesar de quedas estarem fazendo suas moedas recém-adquiridas registrarem um prejuízo não realizado.

Neste momento, quase 58% do fornecimento em circulação está em lucro enquanto as três últimas capitulações de mercado desta métrica caíram abaixo de 50%. O fornecimento em lucro de holders a curto prazo é de apenas 2,2%, ou seja, esse grupo de holders está quase em prejuízo total.

Enquanto isso, holders a longo prazo viram a porção de seu fornecimento rentável cair de 68,5% em abril para os atuais 55,7%, indicando que estão aguentando grande parte dos prejuízos não realizados do mercado.

Para acrescentar uma nova dimensão a essa observação, podemos analisar a porção do fornecimento em lucro armazenado por holders a longo prazo. Aqui, é notável a crescente dominância de holders a longo prazo (ou a porção decrescente de holders a curto prazo) ao longo das etapas finais de um mercado de baixa.

Nos dois últimos mercados de baixa, a média móvel de 14 dias dessa métrica rompeu o limite de 80%. Isso indica que, sob a pressão psicológica da ação negativa de preço, holders a curto prazo estavam armazenando menos de 10% do lucro do mercado. Com a recente queda abaixo da faixa de US$ 30 mil, essa métrica ultrapassou o limite acima de 90%.

Acima desse nível, holders a curto prazo atingiram um limite de tolerância à dor próximo ao auge, com quase nenhum lucro não realizado armazenado, enquanto holders a longo prazo dominam o fornecimento em lucro restante.

Além disso, a análise da distribuição do prejuízo não realizado entre holders a longo e curto prazo sugere as seguintes descobertas do ciclo atual:

– Neste momento, o preço está sendo negociado nas baixas do ciclo de 2021-2022, que significa que quase todos os compradores desde janeiro de 2021 estão armazenando prejuízos não realizados.

– O fornecimento em prejuízo por holders a longo prazo está aumentando desde maio de 2021 mas, desde então, estabilizou-se em 26% do fornecimento (em comparação aos holders a curto prazo, com 16%). Isso ndica que holders a longo prazo estão arcando com mais prejuízos não realizados (uma reorganização positiva da propriedade de moedas) e, atualmente, possuem cerca de 62% do fornecimento do ciclo de 2021-2022 em prejuízo [26%/(26%+16%)].

– O fornecimento a curto prazo também está aproximadamente estável, oscilando em torno de 16% a 18% do fornecimento. Note que há 155 dias (em 1º de janeiro de 2022), o preço era de US$ 47 mil. Além disso, a maioria dos holders a curto prazo acumularam ao longo da faixa anterior de consolidação, no primeiro trimestre de 2022.

A análise behaviorista dos holders a longo prazo sob pressão não seria concluída sem examinar sua reação às intensas correções de preço.

Aqui, será inspecionada a métrica das faixas de retorno do lucro & prejuízo realizado dos holders a longo prazo, especificamente para moedas depositadas em corretoras.

No mercado de baixa de 2018-2019 e nas quedas globais causadas pela Covid-19 em março de 2020, o prejuízo total realizado excedeu 0,006% da capitalização de mercado.

Agora, esse padrão aconteceu novamente durante a queda abaixo de US$ 30 mil no início de maio. Para fomentar essa investigação, é preciso enfatizar que:

– Os prejuízos de moedas depositadas por holders a longo prazo em corretoras agora atingiram uma magnitude comparável aos mercados de baixa anteriores. Porém, ainda não existe o elemento de duração e a magnitude de queda é 58% relativa às quedas anteriores e superiores a 75%.

Faturamento de mineradores sob pressão

Após determinar a severidade do atual mercado de baixa e explorar o comportamento correspondente dos holders a longo prazo, agora será avaliada a reação dos mineradores às receitas em queda.

Para fomentar esta análise, é preciso quantificar a rentabilidade do mercado a partir da perspectiva dos mineradores. O múltiplo de Puell é a proporção do valor diário de emissão do bitcoin (em dólares) à média móvel de 365 dias desse valor.

Ao avaliar todo o histórico do múltiplo de Puell, a narrativa do mercado de baixa com duas fases mencionado acima também fica evidente aqui.

Nas etapas iniciais do mercado de baixa, o múltiplo de Puell geralmente cai na zona entre 0,6 e 1,0, indicando que os rendimentos atuais são até 40% menores do que no ano passado, em média.

Consequentemente, nas etapas finais de um mercado de baixa prolongado, onde eventos de capitulação tendem a acontecer, o múltiplo de Puell despenca para a subzona de 0,5.

Atualmente essa métrica está em 0,66, à beira da entrada da faixa de capitulação. Levando em consideração a alta correlação entre esse indicador e o preço, uma queda de -10% ou mais no preço indicaria um amplo estresse nos fluxos de renda dos mineradores.

Em reação à prevalente queda nas receitas em dólares desde novembro de 2021, é possível observar a queda no saldo de mineradores e um gasto extra acontecendo.

Atualmente, a métrica de variação de posição líquida de mineradores indica uma redução total no saldo de mineradores entre 5 mil e 8 mil BTC por mês.

Isso sinaliza uma nítida mudança no comportamento dos mineradores, pois seu saldo registra uma acumulação líquida de cerca de 12 mil BTC durante a primeira queda da alta recorde.

Em resposta à queda de mercado por conta da venda de mais de 80 mil BTC pela Luna Foundation em uma tentativa de manter o lastro do UST, mineradores distribuíram 10 mil BTC, adicionando pressão de venda ao mercado.

Divergência cronológica

Uma divergência interessante a discutir é o contínuo crescimento da dificuldade da rede, que cresceu 132% desde a alta recorde apesar do incentivo financeiro da receita total dos mineradores ter caído em 56,7%.

Esse aumento significativo na dificuldade sugere que mineradores existentes expandiram suas operações e novos mineradores entraram para a rede apesar de uma enorme redução na receita.

Assim, é provável que as recentes despesas de capital em hardware e locais de mineração pode acrescentar pressão contínua ao balanço patrimonial dos mineradores.

Conclusões

– Com base no múltiplo de Mayer e no preço realizado, o mercado agora derrubou o preço do bitcoin para níveis vistos durante menos de 15% dos dias de negociação da moeda.

– Os prejuízos não realizados da rede agora oscilam na zona obscura da etapa final de mercados de baixa. No entanto, ainda não estão sinalizando uma capitulação completa. Conforme preços estão no limite inferior do ciclo de 2021-2022, todos os compradores desde 1º de janeiro de 2021 agora estão em desvalorização.

– Neste momento, holders a longo prazo estão lidando com a maioria (62%) dos prejuízos não realizados. Isso significa que uma variação gradual mas positiva de propriedade das moedas aconteceu durante este mercado de baixa.

– Mineradores parecem estar cada vez mais sob estresse, pois sinais tanto de redução no balanço patrimonial como de recente expansão de operações foram expressados pela crescente dificuldade. Isso significa que cada moeda agora é mais cara para minerar enquanto a recompensa denominada em dólares continua caindo e pode ser o prenúncio de um possível ciclo de capitulação por mineradores no futuro.

Sobre o autor

A Glassnode é a maior provedora de dados e inteligência de blockchain que gera métricas e ferramentas on-chain para quem realmente quer entender o mercado de criptomoedas.

*Traduzido por Daniela Pereira do Nascimento com autorização da Glassnode.

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