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Binance reforça dominância no mercado cripto e começa a levantar questões antitruste

26 Oct, 20223 min readOther
Binance reforça dominância no mercado cripto e começa a levantar questões antitruste

Embora a FTX e a Coinbase tenham maior mindshare, isto é, presença na mente dos consumidores, no mundo pela forte presença nos Estados Unidos, o volume diário de US$ 44 bilhões da Binance supera de longe qualquer outra exchange de criptomoedas.

A Binance realiza cerca de 53% de todas as negociações de criptomoedas nos mercados à vista e de derivativos por número de transações e movimenta cerca de 30% do valor do mercado.

Além disso, a empresa também é muito mais do que apenas uma exchange. Ela possui a blockchain BNB Smart Chain, cujos validadores ela supostamente controlaria, a stablecoin BUSD, que tem preferência em sua plataforma; um grande peso na governança no protocolo Uniswap (UNI), um dos maiores do mundo DeFi; e ainda financia a indústria de mineração de criptomoedas.

Com isso, surge a pergunta: a Binance está se tornando dominante demais?

A Binance não é a única exchange que tem produtos que vão além de seu negócio principal. O CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, por exemplo, apesar de comandar uma porcentagem menor do volume diário de negociação, espalha sua influência por toda parte, resgatando empresas do setor em meio ao “inverno cripto”.

DNA libertário

A indústria de criptomoedas tem um “DNA libertário” correndo em suas veias – o que não é ruim. A criptomoeda se tornando uma classe de ativos de trilhões de dólares colocou os reguladores em modo alerta, destacando que eles devem examinar e adotar novas tecnologias em vez de descartá-las e exigir grande regulamentação.

Mas, ao mesmo tempo, monopólios tendem a se formar em certos setores onde há economias de escala, como o mercado de trading. Espera-se que o ritmo de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) de criptomoedas acelere no momento atual, dado a queda dos mercados.

De forma geral, o mercado corrige naturalmente os monopólios. A Microsoft, por exemplo, não está nem perto da dominância que tinha durante o caso antitruste do final dos anos 1990.

No mundo da Web 2.0, os reguladores não estão muito interessados em processos antitruste por conta de alegações de comportamento monopolista. Ações da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos e dos estados alegando que a Meta (ex- Facebook) estava envolvida em práticas monopolistas, por exemplo, foram descartadas. Como resultado, houve pedidos para reformar as leis antitruste – o que ainda levará anos para conclusão no Congresso.

O mesmo acontecerá entre as criptomoedas? Haverá algum desafio para a Binance?

Quando a Binance anunciou que estava restringindo em sua plataforma o acesso a três stablecoins que competem com as suas, a Circle, emissora da USD Coin (USDC), não se abalou. O CEO da Circle, Jeremy Allaire, afirmou via Twitter que a USDC seria a vencedora, pois aceleraria a migração do Tether (USDT), que é um token non grato nos EUA.

“Embora otimizar a liquidez do dólar na maior exchange do mundo possa trazer benefícios, o paradigma levanta potenciais questões de conduta de mercado”, disse a Circle na ocasião.

Portanto, há indícios de ingredientes antitruste, mas como o USDC, concorrente do BUSD, por enquanto, continua sendo um beneficiário, não há um caso a ser feito – ainda.

Mas o que acontece quando a Binance reunir todas as entidades separadas que possui e fazer algo em que todos os seus concorrentes são bloqueados de um mercado específico? Nesse ponto, pode ser relevante revisitar a questão de saber se a Binance se tornou muito dominante.

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