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Por que a Binance e a FTX entraram em guerra e criaram uma crise no mercado de criptomoedas

7 Nov, 20228 min readBitcoin
Por que a Binance e a FTX entraram em guerra e criaram uma crise no mercado de criptomoedas

A guerra declarada no final de semana entre dois dos homens mais poderosos da indústria de criptomoedas, Changpeng ‘CZ’ Zhao da Binance e Sam Bankman-Fried da FTX, continua dando o que falar nesta segunda-feira (7).

Um aumento de pedidos de saques na FTX levou SBF a voltar a falar nesta manhã sobre a situação da sua corretora, tentando afastar preocupações sobre a saúde financeira da empresa e garantindo aos investidores que sua companhia tem mais de US$ 1 bilhão em caixa.

“FTX tem o suficiente para cobrir todas as participações dos clientes. Não investimos ativos dos clientes (mesmo em tesourarias). Estamos processando todas as retiradas e continuaremos processando.”

Ele então afirma que “um concorrente está tentando nos perseguir com rumores falsos”, se referindo a CZ da Binance. No final da sua sequência de tweets, ele fez um pedido ao concorrente: “Eu adoraria, CZ, se pudéssemos trabalhar juntos pelo ecossistema”.

Análises on-chain que começam a circular nas redes sociais mostram que a FTX está precisa lidar com um alto número de usuários tentando tirar dinheiro da plataforma, motivados pelo temor de insolvência dos negócios de SBF.

Trata-se de um movimento que ganhou força nos últimos dias após ser divulgada a informação que a Alameda Research, o fundo hedge do empresário, tem uma dependência excessiva do token nativo da FTX, o FTT.

Isso levou o CZ a liquidar no mercado todo o estoque de FTT que estava em sua posse, fazendo o preço do ativo – que já vinha operando em queda desde a noite de sábado – recuar ainda mais no domingo.

“Devido a recentes revelações que vieram à tona, decidimos liquidar qualquer FTT remanescente em nossos livros”, escreveu CZ, sem dizer exatamente quando isso seria, apenas que era parte dos US$ 2,1 bilhões em BUSD e FTT que a Binance recebeu de sua saída do patrimônio da FTX.

CZ foi rígido em sua crítica a corretora concorrente. “A liquidação do nosso FTT é apenas uma gestão de risco pós-saída, aprendendo com a LUNA. Demos apoio antes, mas não vamos fingir fazer amor depois do divórcio. Não somos contra ninguém. Mas não apoiaremos pessoas que fazem lobby contra outros players do setor pelas costas.”

Liquidating our FTT is just post-exit risk management, learning from LUNA. We gave support before, but we won’t pretend to make love after divorce. We are not against anyone. But we won’t support people who lobby against other industry players behind their backs. Onwards.— CZ Binance (@cz_binance) November 6, 2022

Essa posição de CZ pode também ser uma resposta indireta as recentes farpas trocadas com SBF. No final de outubro, o criador da FTX provocou sobre a possibilidade do rival desembarcar nos Estados Unidos, fazendo eco aos rumores de que CZ seria preso se pisasse no país.

Naquele momento, a CEO da Alameda Research, Caroline Ellison, chegou a propor publicamente a CZ que ele vendesse os tokens FTT para a companhia, que pagaria US$ 22 por token.

Enquanto tudo isso acontecia, Bankman-Fried se manteve a maior parte do tempo calado, só falando indiretamente sobre o assunto no fim da tarde de ontem para pedir “paz” e a união no mercado cripto.

“Eu respeito muito o que vocês fizeram para construir a indústria como a vemos hoje, mesmo se eles retribuem ou não, e se usamos ou não os mesmos métodos. Incluindo CZ. Enfim — como sempre — é hora de construir. Faça amor (e blockchain), não faça guerra.”

Embora CZ tenha sido um investidor inicial na FTX, as empresas tomaram caminhos separados e se tornaram cada vez mais rivais com SBF apostando na influência dentro da regulação no Estados Unidos (EUA) e CZ na expansão global.

O boom de saques na FTX

Na virada de domingo para segunda, a situação da FTX parece ter piorado com o número de saques aumentando.

A exchange confirmou que os saques de Bitcoin (BTC) estavam atrasados, mas que estava fazendo mudanças para acelerar o processo. A situação com os saques de stablecoins também estavam com atrasos, com a exchange jogando culpa nos bancos que estavam fechados durante o final de semana.

Embora a FTX não tenha admitido que suas hot wallets não davam conta de lidar com o número de pedidos de saques, a comunidade cripto notou uma grande quantidade de stablecoins saindo das carteiras da Alameda Research para a FTX, provavelmente para pagar os saques dos clientes da corretora.

“A Alameda Research está enviando stablecoins para a FTX em tamanho. Apenas 15 minutos atrás, eles receberam 56 milhões USDC da Circle e depois depositaram no FTX. Nas últimas 24 horas, eles enviaram um total de US$ 257 milhões”, escreveu o The Data Nerd na noite passada.

“A saída de stablecoins da FTX é a maior entre todas as exchanges nos últimos sete dias, com baixa de menos US$ 300 milhões”, acrescentou o analista.

Kim Young Ji, criador do CryptoQuant, também trouxe dados para expor essa situação da exchange: “A reserva de stablecoin da FTX atingiu o menor nível do ano. US$ 51 milhões a partir de agora. -93% nas últimas duas semanas”.

FTX hourly withdrawals for $ETH just hit an all-time high. — Ki Young Ju (@ki_young_ju) November 6, 2022

Ele acrescentou que o balanço de Ethereum (ETH) da FTX também foi abalado, com as saídas de ETH da corretora por hora atingiram um recorde histórico. De acordo com o CryptoQuant, quase 300 mil ETH deixaram a FTX nos últimos dois dias, fazendo a reserva da criptomoeda na corretora chegar ao nível mais baixo visto em dois anos.

Como a crise da FTX começou

A situação que a FTX se encontra atualmente começou na última quarta-feira (2), quando o Coindesk vazou detalhes sobre a situação financeira da Alameda Research, mostra como as diferentes companhias do empresário estão fortemente relacionadas e como o balanço da Alameda é dominado pelo FTX Token (FTT).

Dos US$ 14,6 bilhões em ativos totais que compõem o balanço da empresa, US$ 5,8 bilhões estão em FTT. Há ainda mais US$ 292 milhões em “FTT bloqueado” entre os passivos da empresa.

Por 1/3 do balanço da empresa depender do token que tem pouca demanda e utilidade no mercado, a comunidade cripto começou a temer pela saúde financeira da empresa.

Mike Burgersburg, pseudônimo do investigador por trás da Dirty Bubble Media, questionou se Alameda Research, ao depender do FTT, não estaria na mesma situação que a falida Celsius com seu token CEL.

O investigador então traça como esse foi o mesmo modelo que levou a ruína da Celsius, apelidado por ele como “esquema de volante”.

A estrutura desse esquema começa com uma empresa criando um token no qual é a principal detentora.

Em seguida, a empresa entra num loop de fazer o preço desse token subir para inflar artificialmente o caixa da empresa, atrair novos investidores e reinvestir o dinheiro para consolidar a marca no mercado e manter o preço do seu token nas alturas.

Esse modelo de negócios, no qual a empresa é altamente dependente do seu próprio token, não é sustentável ao longo prazo, na visão de Dirty Bubble Media.

“O esquema do volante é apenas mais uma engenharia financeira insustentável. À medida que você aumenta o preço do token, começa a custar mais para manter o preço alto; as pessoas que possuem o token são cada vez mais incentivadas a vender, forçando você a comprar mais tokens a preços mais altos. Eventualmente, você fica sem dinheiro, possui todos os tokens existentes ou para de comprar. O que você não pode fazer, porque se parar tudo desmorona.”

O crítico argumenta que as altas cifras descritas no balanço financeiro da Alameda em FTT “só geram riqueza no papel”, dada a falta de liquidez desses ativos no mercado em um possível evento de venda.

Esse entendimento também passou por outras pessoas, como sinalizou o movimento de CZ no final de semana. Sam Bankman-Fried, no entanto, é enfático em dizer que “tudo está bem”.

Enquanto as empresas de SBF de movimentam nos bastidores, o preço do token FTT consegue se manter por volta dos US$ 22. Segundo o CoinMarketCap, a criptomoeda é negociada em queda 4% nas últimas 24 horas, com uma desvalorização que chega a 14,7% na semana.

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