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App Lemon Cash quer abrir caminho para uma economia 100% cripto, integrando Pix, cartão e rendimentos em criptomoedas

26 Oct, 20227 min readOther
App Lemon Cash quer abrir caminho para uma economia 100% cripto, integrando Pix, cartão e rendimentos em criptomoedas

Após conquistar uma fatia considerável do mercado argentino, brigando de igual para igual com gigantes globais como a Binance e a Strike, a Lemon Cash investe no mercado brasileiro como parte de sua missão empresarial de popularizar o acesso do maior número de pessoas às criptomoedas para promover a transição para uma economia baseada em ativos digitais.

Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, Borja Martel, cofundador e CBO da Lemon Cash, explicou que a startup foi criada sob o princípio de democratizar aquilo que ele entende como uma oportunidade única de redistribuição da riqueza:

"Não é que todo mundo vai ganhar dinheiro com criptomoedas, mas todos têm oportunidades. Antes, as oportunidades eram restritas a poucas pessoas."

Baseando-se nesse propósito, a Lemon Cash elimina a dependência de instituições bancárias tradicionais, permitindo que os clientes do banco digital adotem um "estilo de vida 100% cripto":

"A Lemon quer fazer com que as criptomoedas sejam compreendidas como uma forma de viver e não apenas como investimento. Porque você pode investir em cripto, mas também pode viver em cripto. Esse é o ponto de virada que a Lemon trouxe para as pessoas na Argentina. E isso é uma coisa que no Brasil ainda não existe."

Adoção no Brasil e na Argentina

Fundada em 2020, em pouco tempo a Lemon conquistou uma fatia de 22% de usuários entre a população economicamente ativa da Argentina, destaca Borja. Tamanho crescimento foi possível porque as criptomoedas já fazem parte do dia a dia de grande parte da população do país. Ou posto de outra forma, no país vizinho "cripto já é mainstream", como diz o cofundador da Lemon.

A adoção de criptomoedas na Argentina é uma das mais altas da América Latina e do mundo. Segundo um relatório recente da empresa de análise de dados on-chain Chainalysis, o país está entre os dez países com maior circulação des ativos digitais.

A inflação crônica e o controle de capitais são dois fatores cruciais para o alto índice de adoção dos ativos digitais no país. Muitos jovens argentinos, especialmente aqueles que trabalham no setor de tecnologia, já optam até mesmo por receber seus salários em criptomoedas como forma de driblar o governo e a desvalorização da moeda local.

Embora em números absolutos, o Brasil contabilize um número maior de usuários e um volume de negociação superior ao do vizinho, trata-se de um mercado ainda nascente e com alto potencial de crescimento, segundo os fundadores da Lemon. Por isso, tornou-se um mercado crucial para a startup após a consolidação na Argentina:

"O Brasil é o mercado mais atrativo da América Latina tanto para empreendedores quanto para investidores, mas também é um mercado difícil e muito competitivo. Mas nós acreditamos que nossa forma distinta de abordar esse mercado faz com que o Brasil se apresente como uma grande oportunidade para a Lemon Cash. A gente entende também que o Brasil tem uma cultura totalmente diferente do resto da América Latina, festiva, alegre, vibrante que se conecta diretamente com os valores da nossa marca, que é voltada para o público jovem e para a formação de uma comunidade."

Segundo Borja, a Lemon pode desempenhar um papel importante na atração de novos usuários ao espaço cripto, contribuindo decisivamente para o crescimento da adoção de criptomoedas no Brasil e, consequentemente, alçando o país da condição de emergente para o mainstream.

Nesse sentido, diz Borja, é preciso que haja uma mudança de mentalidade que vai além das criptomoedas e incorpora a cultura nascente da Web3:

"Enquanto as criptomoedas forem compreendidas apenas como um meio de investimento, elas não chegarão ao mainstream no Brasil, mas somente quando as pessoas as utilizarem no seu dia a dia."

O app da Lemon

O grande salto no número de usuários da Lemon Cash na Argentina ocorreu depois que a empresa lançou um cartão de débito que permite aos usuários realizar pagamentos no dia a dia diretamente com criptomoedas ou pesos argentinos e ainda oferece cashback em Bitcoin (BTC) de 2% sobre os valores gastos em todas as compras.

Em abril deste ano, com menos de dois anos em operação, o aplicativo da Lemon Cash tornou-se o mais popular entre os usuários de criptomoedas argentinos, e a startup superou a marca de 1 milhão de clientes.

Na ocasião, segundo dados do portal Statista, o app da Lemon respondia por 35% dos downloads realizados em 2022, mais do que o triplo da Binance, segunda colocada com 10%.

Um cartão de débito Visa nos mesmos moldes será lançado no Brasil em data ainda a ser anunciada, possivelmente ainda este ano. Mais adiante, a função crédito também poderá ser habilitada pelos usuários.

Esta semana, o aplicativo incorporou transferências via Pix, aumentando sensivelmente a funcionalidade para os usuários brasileiros. "Agora, os créditos e saques em reais ou cripto entre as contas dos usuários são feitos instantaneamente", disse Borja.

A startup também pretende oferecer no futuro rendimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) aos clientes, que poderão optar por receber os juros em reais ou criptomoedas, promete o CBO da Lemon:

"Numa fintech tradicional, você recebe os juros do CDI em reais. Na Lemon, você vai poder escolher se quer receber juros em reais ou em criptomoedas. Você vai ter os mesmos serviços oferecidos em uma conta digital comum em reais, porém integrados às criptomoedas."

Enquanto o CDI não é disponibilizado, existe a possibilidade de acumular rendimentos através do Lemon Earn. A ferramenta permite que saldos em criptomoedas mantidos no app gerem rendimentos diários que são distribuídos aos usuários semanalmente, sempre às segundas-feiras.

As duas principais criptomoedas do mercado, Bitcoin e Ethereum (ETH), por exemplo, rendem 4% ao ano no Lemon Earn. Stablecoins como USDC, USDT e DAI pagam juros entre 5,38% e 6% ao ano.

Patagonia Crypto Valley

Borja conta que a Lemon estava em concepção quando a pandemia do coronavírus explodiu, forçando-os a rever os processos de desenvolvimento do produto a partir das limitações impostas pelas políticas sanitárias e de isolamento social.

Então, ele e o sócio resolveram reunir a equipe de desenvolvedores em um espaço comum em San Martin de los Andes, na Patagônia, onde todos pudessem se dedicar exclusivamente ao projeto.

À medida que o desenvolvimento avançava, a comunidade da Lemon foi crescendo na cidade, que acabou tornando-se um laboratório de testes para a implementação do produto e para a afirmação da visão empresarial da dupla, conta Borja:

"Em San Martin de los Andes a gente pode desenvolver o produto e ao mesmo tempo testá-lo em uma cidade pequena, com aproximadamente 36 mil habitantes. Durante quatro meses, nós trabalhamos para fomentar a adoção para criar uma experiência em que moradores, lojistas e comerciantes usassem o Lemon no dia a dia, até que toda a economia local estivesse baseada nele."

San Martin de los Andes acabou sendo batizada como Patagônia Crypto Valley e tornou-se um símbolo da Lemon Cash.

Criptomoedas como base do sistema financeiro

Depois que El Salvador adotou o Bitcoin como moeda de curso legal, a Lemon transferiu suas operações para o país centro-americano. Borja reconhece que o pioneirismo da experiência impõe dificuldades ao processo. Por outro lado, acredita que os salvadorenhos são os pontas de lança de um processo irreversível de transição para um sistema financeiro baseado em criptomoedas:

"Eu acho que é uma questão de tempo até que outros países adotem o Bitcoin como moeda oficial. É um movimento geracional. Naturalmente, os próximos presidentes de países, de bancos centrais, vão ser pessoas mais jovens, que possuem criptomoedas, que conhecem as criptomoedas e vão querer promover iniciativas que tenham as criptomoedas como elemento central. Alguns países vão demorar menos, outros mais, mas eu acho que é inevitável."

A Lemon inaugurou suas operações no Brasil em julho deste ano, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião.

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